Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

“A maior prova que existe vida inteligente em outros planetas é eles ainda não terem feito contato.”
Extraído da peça Cabaret das Utopias
Acordo em um horário não muito apropriado para tomar um café não muito cafeinado. Escuto uma música mal arranjada, dou sorrisos para a vizinha mal arrumada. Desço as escadas não muito bem limpadas, reclamo do elevador nunca consertado. Atravesso a rua bem mal humorado, aperto todas as quinas do meu rosto quadrado.
Compro o pão da promoção – está semi-mofado. Frito um ovo e coloco sal, assim estará temperado. Canso das rimas dos meus pensamentos, sempre tão equivocados. Hesito, erro, tropeço – eis mais um novo predicado.
Sinto um prego atravessando a sola do meu sapato. Não levarei ao sapateiro, que me cobrará bons trocados. Olho o céu apenas uma vez, dele já estou farto. O seu cinza não me comove nem aos novos namorados.
E passa o tempo do meu dia, assim todo ritmado. Sem graça e sem poesia, é tudo encenado. Quando a noite entra, penso que é a hora adequada, para pedir ao homem da nave me fazer um alienado.
Tags: cotidiano, Humanidade, São Paulo, Tempoô seu moço do disco voador, me leve com você praonde você for!
Genial, honey!
=*
perfeito, adoro textos com ritmo…
este vai me tirando o fôlego à medida que leio
Você rima!