Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Apaga-se

Postado em Contos e Crônicas em 24/09/2009
Apaga-se

A enfermeira tomava o café em pé no corredor do hospital. O taxista era assaltado parado no sinal. A dançarina estava a um passo de torcer o tornozelo. O jogador estava na mesa de operação para consertar o joelho. A filha despedia-se pela última vez do seu pai. A jornalista engolia o grito: “Não agüento mais!”. A cantora fingia risos antes de entrar no palco. O sapateiro passava a cola errada no sapato.

Os pasteis eram fritos na gordura velha. O fogo queimava a parafina azul da vela. O casaco era jogado por cima da cama. O amor descobria que ninguém mais o ama. O telefone tocava sem ninguém para atender. E, quando tudo tentava os mistérios entender…

Luzes apagadas. E apenas os soluços coloriam aquele vazio.

trupe de quinta – luzes apagadas
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no twitter. ;)

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Comentários

  • Victório24/09/09 - 11:25

    é quando as luzes se apagam que as coisas se revelam.
    ótimo texto, honey!

  • Lílian Alcântara24/09/09 - 12:13

    Enquanto uns nascem outros morrem. Ainda há os que nascem mortos. A mente humana, às vezes, vê tudo isso, percebe que enquanto uns sorriem outros choram, enquanto a madrugada cala e a tarde raia no outro continente. Porém, somos limitados à só agir ao ambiente em que estamos de corpo presente. É incômodo.

  • Nati24/09/09 - 12:58

    Você consegue traduzir em palavras o que eu consigo só pensar emaranhado :)

  • Lara marx24/09/09 - 15:17

    e nesse cotidiano a vida inteira se esvai. melancólico, vazio… e cheio no final.
    genial. baiana!

  • Lucas Amorim Prado25/09/09 - 8:16

    Imagens incandecentes!
    Te amo.

Comentário:

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