Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Flor d’água

Postado em Aspas em 21/09/2009
Flor d'água

O véu de estrelas no céu, a grinalda cintilante em pétalas. Teus pés ao pousarem sobre o vermelho inicia a procissão de um vida. Os bancos de madeira se levantam para ver teu sorriso passar por entre os corredores e labirintos deste corredor. As escadas te elevam, finalmente.

Teu braço agora é empossado, suas luvas são esquecidas para que a coroem com o ouro reluzente. Eis a oferenda do seu dia. Das frases que sussuram e das promessas que nem entendes, esquecerás.

O desenho da silhueta em um preto, chumbo, cinza. Esconde a nudez do mundo com as colunas da casa de hipocrisias. Alinhados para as convenções. Voará as flores que os acompanharam. Sorrirá a criança em vestido rosa e sapatos de boneca.

Narram as quedas com luxo,traçam os fracassos com maestria e pintam as tristezas com poesias. Lava cada pedaço de teu corpo com os ditados, persegue sua consciência com um argumento falso e acredita que garimpa numa mina a felicidade de seu dia – perdida entre pedras e diamantes, esquece o mais puro dever de se lapidar, de se permitir, de profanar.

“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.”
- José Saramago

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