Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Esperava passar pela minha rua todos os dias. Quando apontava no final da curva da avenida, meu sorriso se abria. Era a hora esperada do dia em que meu pai finalmente trocava todas as caixas, caixotes e caixinhas pelas moedas que abraçariam todo aquele dia.
Como um camelo-máquina, sua lataria eram seus ossos e suas cartilagens. Tudo aquilo que os outros julgavam nada mais valer, valeria toda a corrida pelas ruas, que valeria todo o pão da manhã, ou ao menos a vontade deste.
Como um camelo-gente, sentia os músculos crescerem e definirem em um esforço intenso. Os pés dos carros arranhavam a capa de petróleo e as faíscas brilhavam por todo o percurso daquela infindável rotina.
Como um camelo-pai, não ria. Nem chorava. A prece fazia antes de sair e olhava aos céus com desconfiança e culpa, com acusações e súplicas, com respeito e afronta. E fazia o sinal da cruz.
As células, celulose. Definhava para se alimentar. A pele, amadeirada. Ventríloquo programado para nunca mudar. Desdobrou-se o caminhão de papel, nas rolagens esquecidas da paisagem.
Tags: Caminhão de Papel, Desigualdade, Humano, Máquina, Realidade, Trupe de Quintatrupe de quinta – caminhão de papel
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no twitter.![]()
amanda oliveira • andré pacheco • izabel pompermayer • lara marx • nati boaventura • rafael glass • rodrigo casales • victor godoi
Gente… vc sempre escreveu bem… desde a 6ª serie! rsrsrs se lembra da peça de fantoche de caixa de sabão em pó… sua cara!!!
verdade… as pessoas que trabalham com lixo, restos, os “trabalhos indesejados”, acabam tornando-se os objetos dos quais retiram o sustento, virando pessoas-objetos-indesejáveis. E invisíveis.
Um vez entrevistei o pessaol que trabalhava com reciclagem, em Viçosa, catadores de papel. Foi uma das experiências mais árduas. Porque vc trabalha eh um mabiente inadquado, em um esteira de coleta com larvas e vermes, com lixo, bicho morto. E ganha quase anda, sem apoio da prefeitura nem nada.
E aí a moça que conversou comigo, vaidosa (sim, ela tem direito de ser humana), me disse: “as pessoas olham a gente como se fossemos lixo, porque trabalhamos aqui. a gente tá trabalhando. somos gente.”
Foi um golpe na boca do estômago…
O título remete ao Homem Cabeça de Papelão, ou algo assim, do João do Rio. João do Rio? Acho que é. Bom, sinceramente, o texto é meio chato. Muito certinho… Tem muita virgula, muita pompa, parece que vestiu o paletó para ir até a padaria.
Eu escrevia assim também…
ah! Muita figura de linguagem também.
Hahaha. Na verdade, o título foi para remeter ao Ignácio Loyola, no Livro As cadeiras Proibidas.
Bom, bem que eu pedi pra vc ser sincero nas críticas. Valeu, Marcelo.
;P
#esseémeujeitinho . hahaha.