Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Para curar minha atiquifobia, responsável por este meu ar lânguido cotidiano, frequentava o mesmo médico há cinco anos. As cápsulas lacradas em um vaso eram consumidas diariamente. Eram falsetes rubicundos para conter o meu desespero triunfador.
Meu comportamento era mais assustador que o de um extremófilo, que nada pela manhã no sulfato e se cobre à noite com enxofre – amanhece incólume pronto a descamar-se nas mais corrosivas químicas.
Soturno – este era o ar da tarde no escritório do doutor. Conseguia ouvir uma canção lúgubre ao fundo. Minha atiquifobia se manifestava. Ele não ia me curar. Ele precisava me curar. Eu temo não conseguir isto superar.
Entrou no consultório. Olhei com olhos de tormenta para suas mãos. Ele me ofereceu uma flor de alcachofra.
Tags: Excêntrico, Trupe de Quintatrupe de quinta – alcachofras
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no twitter.![]()
amanda oliveira • andré pacheco • elisa frança • izabel pompermayer • lara marx • nati boaventura • rafael glass • rodrigo casales • victor godoi
Que texto delicado! Adorei.
=D
das fobias faço uma pequena coleção particular, na verdade não é uma coleção… acrofobia, claustrofobia e às vezes tenho dores de cabeça com luz – por mais fraca que seja – o que meu médico disse que pode ser uma manifestação de fotofobia… acroclaustrofoto podia ser o nome de um composto químico…