Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Na geladeira, ao abrir, encontraria um mosaico de gelatinas de framboesa e limão. O tapete do corredor iria segurar meus pés suplicando que eu ficasse mais tempo para que fizesse suaves cócegas em meus pés – isso sempre me rouba alguns risinhos. A minha caneta lilás iria escrever um poema para mim enquanto eu tomasse um banho em um rio repleto de conchinhas e pedregulhos, onde os peixes-borboletas vivem em crise profunda de identidade, oscilando entre nadar nos ares e voar nas águas.
Esperava este simples cotidiano, como todo dia. Mas ao acordar algo me parecia diferente. O céu amanhecia em um azul muito escuro, fechado. Minha meia posicionou um bote e correu atrás dos meus pés pronta para dar o golpe final. Com o guarda-chuva, bati três vezes na cabeça dela. A força foi tamanha que o guarda-chuva de abriu, e aconteceu o desastre: choveu em minha casa.
Não era apenas uma chuva, era um temporal. Com medo dos raios, desliguei as lâmpadas e tampei os espelhos – minha vó me ensinou que eles os atraem. Em dois minutos, a água estava em meus tornozelos. Foi então que os felpudos do tapete começaram a me beliscar, a pedir ajuda. Em seu grande peso, não conseguia colocá-los no alto. Enraivecidos eles seguraram meus tornozelos.
Com dificuldade abri a porta, fazendo com que a água em excesso corresse pelas escadas. Ofegante e entre espirros, quis chorar. Mais ainda quando abri minha geladeira. Sem mosaicos e sem cores, apenas um poema escrito em canetas esferográficas comuns. Estava assinado pelo acaso.
Tags: Acaso, Excêntrico, Trupe de Quintatrupe de quinta – acaso
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no twitter.![]()
amanda oliveira • andré pacheco • izabel pompermayer • lara marx • nati boaventura • rafael glass • rodrigo casales • victor godoi
Ufa… finalmente alguem postou, achei q era o unico e que tinham mudado de tema sem me avisar. Essa do espelho em temporal foi ótima!
que mágico! que trágico! metamorfoses se fazem.
o mundo podia ser ana, seria fantastico, com cócegas ou beliscões, viver nele seria eterna fantasia poética!
te amo!
puta merda, fiquei pensando num curta metragem ou até em uma animação… mas a chuva ficou muito forte do segundo parágrafo pra frente, às vezes o que leio modifica o tempo lá fora, eu acho
surpresas aqui, sempre.
o acaso, por vezes, também me trai.