Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Traçado

Postado em Contos e Crônicas em 28/10/2009
Traçado

Teclas, travas e traçados. Todos enfileirados. Nossa linha de montagem, nossa falta de vontade, nossa coluna é uma engrenagem. Senta, levanta, pisa e chora. Uma janela sem aurora, uma novela sem demora, uma primavera sem amoras.

Este ritmo obsoleto que pulsa novo dentro de mim. Caminho com minério na veia e sem desejos por nada abstrair. Se de vidro, ou de plástico – tanto faz, transparece. A água que vem sem sais de longe me emudece – resta algo dentro das curvas, um suspiro na carne crua. O destino é uma mulher semi-nua.

Caso, laço, caos, acaso… A fita desenrola sem descolar o ontem do amanhã. O hoje é lenda contada para as crianças todas manhãs. Tamanha seja a ordem que gritar o imperador – proclamem a verdade como a mentira sã.

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Comentários

  • monique28/10/09 - 15:55

    penso, penso e penso, mas não consigo encontrar um jeito de dizer isso sem parecer rasgação de seda…

    cê é muito talentosa e tem estilo só seu (coisa tão rara).

    A maneira como amarra as palavras, imprimindo o ritmo ao texto, conduz a leitura com sentimento novo a cada história.

    lindo.
    como sempre.

    :)

  • Lucas Amorim Prado29/10/09 - 11:10

    vc é deslumbrante, escreve com todo o corpo, perfeitamente ritmado com a alma.
    sua poesia é viva e encantadora.
    te amo!

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