Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Desfiou minha córnea suavemente. Era uma dança que a pinça fazia ao beliscar aquela fina película que envolvia meu olho direito. Sentia um asco quando o rapaz levantava rapidamente o lábio superior quando conseguia descamar mais um pedaço da minha córnea. Um feixe de sombra invadia impacientemente minha visão.
Na íris, injetou três gotas de ácido. Ela petrificou-se. Ardia um pouco, incomodava a sensação de sentir as suas bordas queimadas pela química. Novamente, uma pinça – agora retirando a minha pedra-íris de mim.
Ao fundo do meu globo ocular, encontrou minha retina. Perguntou se eu tinha certeza que ele poderia arrancá-la de mim. “Imediatamente”, respondi. E, em uma fração de segundo, ele a sugou. Não havia mais remédio para a falta de imagens que me encharcava.
“Continua?”. “Sim, exatamente como lhe pedi”, afirmei. Fazia três anos já que esperava aquele dia. Em uma solução perfeita, um colírio de almas secaria meus olhos das barbáries respiradas lá fora.
Tags: Desespero, Excêntrico, Humano, Trupe de Quintatrupe de quinta – colírio
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no twitter.![]()
amanda oliveira • andré pacheco • elisa frança • izabel pompermayer • lara marx • nati boaventura • rafael glass • rodrigo casales • victor godoi
sempre inspirada para transformar uma palavrinha comum num texto maravilhoso.
ps: as imagens que ilustram tb são lindas e essa está maravilhosa.
Acho que sei porque quase ninguém está postando mais às quintas-feiras. Dá uma vergonha danada depois de ver seus textos bonitos e intensos. =D
Sou sua fã. Acho que devia escrever um livro. Estou lendo Crepúsculo e ando revoltada que tanta melação tenha dado tanto dinheiro. Você precisa escrever um livro.
mto bom… transformar o olho naquilo que se vê, em pedras, em duras realidade, é como nos transformarmos no que vivemos, meus olhos te vendo se transformam em delicadas asas de borboletas e saem voando tortamente… te amo descoladamente!