Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Mãe

Postado em Contos e Crônicas em 16/11/2009
Mãe

Nunca me recordo quantos são os anos que já soprara. Sopros estes tão diversos, entre brisas suaves e tormentas severas. Sopros que carregam vestígios de um passado, esperanças de um futuro. Nestes meandros de ar encontra o improvável, o previsível, o adequado e o imaginário. Tem na dança de cada curva do vento um olhar que se despetala em formas e sensações extremas.

Conto em metades os anos que estive presente. Anos que se enlaçam entre presenças e ausências. Perdoará as ausências presentes? Recompensará as presenças ausentes? Dentre ideias e ideais, ensina o sorriso do meu silêncio e a timidez de nossos pensamentos. Algo sólido desmanchado no ar que une nossa pele à nossa forma de criar.

Tantos desejos em desdobramentos. Dobraduras de vazios preenchidas pelos tempos. Se ao acordar me olho sempre no espelho, nas molduras que me prendem do outro lado está uma forte parte, uma expressiva imagem, uma decisiva vontade, uma teimosa insistência, uma líquida obediência que enfaticamente faz de mim um punhado de você.

Parabéns!

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Comentários

  • irlene16/11/09 - 22:14

    É a compensação do passar dos anos, saber que tudo que fizemos resultou
    numa continuidade brilhante,onde o sopro de ar dos meandros da vida, trará
    o perfume suave que envolverá os sonhos conquistados.
    Não existe presente melhor do que um belo poema!!!
    Obrigada.

  • Lucas Amorim Prado19/11/09 - 9:35

    parabéns Irlene, por colocar uma menina tão especial no mundo!!!
    me encanto com seus sopros poéticos, a vida vooa neles…

Comentário:

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