Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Linda, deslizava no fundo do céu em imagem suave. Suas curvas se desfaziam pelos contornos que a embalavam. Era feita de matéria-nuvem, respirava os voos frescos das aves que, delicadas, passavam. A pele de textura fina, a cor de intensidade rara, o véu de fios encaracolados. Olhos grandes rasgados por firmes cílios, um olhar que a nada mirava.
As escadas rudes atravessa descalça. Os espinhos dos labirintos a sua pele não arranhavam. As pedras polidas abraçavam suas mãos na beira do rio. Sentava na areia branca, olhava o horizonte torto que, em suas pontas, parecia evaporar no sem fim.
Olhava a lua em traço fino, indecisa entre o sorriso e sumiço. Olhava para as estrelas que pouco a pouco surgiam – piscavam claras quando a noite só agora aparecia. O roxo, rosa e azul claro se misturavam na harmonia da despedida, de quem arranca os aplausos e já corre para trás da cortina.
O escuro que se completava a menina não temia. Era a luz engolida pelo breu que encantava o espetáculo de se refazer mais um novo dia. A paisagem isolada não mais a contemplava, e em sua beleza arrojada ela agora se esconderia até que o novo raio aparecesse por trás das águas.
Fechava-se em concha, em cálcio, em pérola. Fechava-se para o sonho. Era um ventre escuro o pedaço da terra que, agora silenciosa, não tinha pressa, nem luz, nem cor – tinha a espera. O sal invadia o vento do mar, o pé da menina brincava com a brisa.
Tags: BelezaQue bonito! Fico imaginando quem seria ela… Tão poderosa, mas tão serena ao mesmo tempo!!! Bjos
maravilhoso.