Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Gal cantou pra mim

Postado em Contos e Crônicas em 24/02/2010
Gal cantou pra mim

O hábito de andar pelas ruas próximas começou quando minha cabeça pesava demais dentro do apartamento e a fuligem incomodava a minha tarde. Era como me colocar no varal para que o vento pudesse passar por todos meus cantos, levando o cansaço, a tensão e a apatia que alguns pensamentos teimavam em injetar em mim. Em uma dessas caminhadas despreocupadas, sentei no meio fio próximo à uma floricultura.

Um som, um verso, um refrão caía em meus ouvidos. A distração fez com que eu parasse de descascar o esmalte que envernizava minhas unhas. Ainda não sei dizer se o que faz daquela canção ser tão tocante é culpa de sua melodia perfeita ou dos meus desgastados momentos. Cabia alguma arte dentro de mim?

As janelas no alto pareciam atirar em meu corpo, quase derramado na escuridão do asfalto. Derreti exposta ao sol em uma lava improdutiva. Ainda dei um último trago no cigarro antes de mesclar com o resto de petróleo. Não temi a morte.

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Comentários

  • monique24/02/10 - 16:52

    quando crescer quero escrever como você, tá?
    :)

  • Murilo25/02/10 - 16:12

    “Era como me colocar no varal para que o vento pudesse passar por todos meus cantos…”

    Seu jeito poetico de falar [e escrever] as coisas me encanta todo dia, Baiana…
    Saudades de ti, companheira.

    Um grande beijo,
    “Arrasa”

  • lara marx27/02/10 - 12:37

    e aí fez escuro o sol ante o brilho do asfalto.

    era o momento do zeca baleiro surgir cantando ‘flores crescem no asfalto, debaixo dos meus pés’. ou da gal emendar cantarolando o verso ‘luz do sol que a folha traga e traduz em verde de novo, em folha, em graça , em vida em força, em luz’

  • Lílian Alcântara28/02/10 - 20:59

    Uma vez ouvi uma comparação sobre cenas assim da qual me relembrei agora: “a gente se sente tão miúdo dentro destas grandes igrejas apostólicas ROMANAS por que vieram do grande Império Romano, tão grande que você era só mais um, um átomo. Acho que me sinto um átomo o tempo todo, mas às vezes sento num lugar, acendo um cigarro, ouço uma voz cantar e penso que sou o maior átomo do mundo, se tem mais alguém comigo eu nunca sei, só sei que o mundo é meu.”
    Se eu tiver reproduzido direitinho, era isto.

  • monique3/03/10 - 9:38

    vim pra conferir se já tinha texto novo, mas nada.
    (o formspring tem tomado seu tempo.) :P

    ps: meu comentário é sempre o que menos acrescenta e o menos “cult” de todos. tosquidão impera na hora de me expressar. :/

  • Ana Maria Amorim3/03/10 - 12:06

    Ah, desculpa mesmo.
    Estava viajando.
    Semana que vem volto.
    Não esquece de acompanhar pelo twitter, que eu sempre posto quando tem algo novo.
    Reorganizando a vida!
    Beijos!

  • mariana5/03/10 - 16:39

    Baiaaana do meu coraçããoo
    to com muuita saudade de voocê..
    sempre que der vou passar aqui pra mataar a saudadee..
    tanto de você, quanto do meu irmão, pq aundo vocêê escreve, assim, desse jeito bonitoo..eu lembro delee, e lembro de você..e lembro de vocês dois juntos e isso é muito legaal!!
    ;D
    beeeijos!

Comentário:

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