Sobre

Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Marcham as vozes

Postado em Contos e Crônicas em 01/05/2010

Rosana não vai à praia aos sábados, porque sempre está cheia e tem vergonha de sair de biquini para aquela multidão – mesmo que esta esteja nestes trajes. E não há razão, para ela, em ir à praia e não entrar na água. Dizem que o sal purifica a alma e que a região não é imprópria para o banho. Coisa rara.

Já Luciene prefere as avenidas distantes da noite de São Paulo. Quando embarca nelas, altas horas da madrugada, sente-se mergulhando em asfaltos coloridos e no silêncio noturno – que não é tão silencioso assim – conforta seu cotidiano. Amanhã estarão engarrafadas. Comprou palavras cruzadas na banca.

Maria, que odeia o nome por ser comum e parecer “nome de velha”, ainda joga amarelinha. Prefere pular corda a brincar na piscina. A última nota na redação foi nove. Desenha com giz de cera, mas prefere aquarela e faz coleção de pelúcia.

As três sentam-se juntas no mesmo ônibus todos os diaa. Uma mais a frente, outra aos fundos, uma apenas três vezes por semana pega aquela linha, acompanhada da mãe. Não há nada de novo naquela estrutura de metal e cadeiras. Elas nunca se falaram. Talvez seja melhor assim.

Tags: ,

Comentários

  • Lucas Prado Amorim6/05/10 - 9:10

    vidas tão próximas e tão distantes, o cotidiano pode ser um silencioso abismo em que caimos todos os dias quando acordamos. é dificil viver dentro de estruturas metálicas, sem acabar se tornando parte dela. suas palavras esquentam meus metais e tornam minha realidade um magma de poesia.
    te amo sempre!!!

Comentário:

[2009 anacronicas.com.br] | conteúdo sob licença Creative Commons
design: André Pacheco | tecnologia: WordPress