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	<title>anacrônicas &#187; Hemeroteca</title>
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		<title>Aqui dentro, chove</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 22:58:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hemeroteca]]></category>
		<category><![CDATA[Chuva]]></category>
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Pela manhã, a noite me visitou. Era o céu nublado, em tons de azul, cinza e roxo. O branco era o clarão que rasgava inesperadamente em raios, e trovoadas que selavam o som com a luz. O cabo do meu guarda-chuva era certamente ínfimo na proporção das gotas que invadiam minhas meias, meu tênias, minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/Chove-aqui-dentro.jpg" alt="Chove aqui dentro" title="Chove aqui dentro" width="589" height="231" class="aligncenter size-full wp-image-128" /></div>
<p>Pela manhã, a noite me visitou. Era o céu <a href="http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/09/08/chuva-traz-caos-capital-paulista-provoca-tres-mortes-767516553.asp">nublado</a>, em tons de azul, cinza e roxo. O branco era o clarão que rasgava inesperadamente em raios, e trovoadas que selavam o som com a luz. O cabo do meu <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,sp-teve-70-da-chuva-esperada-para-o-mes-na-manha-desta-3,431400,0.htm">guarda-chuva</a> era certamente ínfimo na proporção das gotas que invadiam minhas meias, meu tênias, minha calça e bolsa. O rosto se comprimia para que os olhos pudessem atravessar o líquido ar.</p>
<p>Um labirinto de mares de formava entre as esquinas da cidade, o asfalto era o leito caudaloso que abarcava as naus de gente. As luzes se acenderam nesta noite matinal – as trevas comeram o sol e a escuridão brotava das lâmpadas.</p>
<p>A roda de borracha ameaçava nas proximidades. O contorno dos pés já não existiam – se desmanchavam com a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u621011.shtml">água</a>, se diluíam nas poças e, agora dissolvidos, mal deixavam o passo ter firmeza para chegar em seu destino.</p>
<p>Amolecida, a terra cedia. A lama crescia. O <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u621027.shtml">trânsito </a>se comprimia. O som se alastrava. O caos reinava. A agonia me sequestrava lentamente, ameaçando a terça-feira, comprometendo a quarta e amordaçando a quinta.</p>
<p>Secos, os tacos de madeira me aguardavam. Enxuta, a roupa de cama me aquece. Úmido, bate na janela o importuno, a lembrar que lá fora ainda há trânsito e lama, água e rostos, vidas e mortes.</p>
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		<title>Tarjas rosas</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 23:15:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hemeroteca]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[
Olhar pelas janelas deixou de ser algo desejado nos dias de sol. Na verdade, melhor ser debaixo de uma grande tempestade. As gotículas pregadas no vidro distorcem o que vejo além da sacada. Assim, posso me enfeitar com as mesmas promessas de liberdade que me fazem diariamente, da capacidade individual, incongestionável mesmo nesta cidade sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/almaembalada.jpg" alt="Tarja rosa" title="Tarja rosa" width="510" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-69" /></div>
<p>Olhar pelas janelas deixou de ser algo desejado nos dias de sol. Na verdade, melhor ser debaixo de uma grande tempestade. As gotículas pregadas no vidro distorcem o que vejo além da sacada. Assim, posso me enfeitar com as mesmas promessas de liberdade que me fazem diariamente, da capacidade individual, <a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/politica-economica-de-lula-garante-lucros-aos-bancos">incongestionável </a>mesmo nesta cidade sempre parada.</p>
<p>Um par de cortinas. No final do mês, pagaria a última prestação. Estampada com flores que lembram o cerrado, sinto-me mais agradável trancada do lado de cá. Sou a melhor companhia para os ladrilhos tortos do mosaico da cozinha. Os tacos de madeira do escritório sentem-se mais felizes quando posso, sozinha, deslizar com um par de meias grossas.</p>
<p>Uma taça de vinho me transforma em imperadora. Mesmo que não tenha como nem porquê exercer qualquer poder.</p>
<p>Sei que essa minha particularidade me faz <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7365">plural </a>em tantos outros. Desde que não sequem esta janela, continuarei dopada dentro de meu frasco de alegria. Sei ainda que me chamam de iludida, fracassada ou estranha. Mas a ânsia de ser viva pode vir a causar uma morte quase instantânea.</p>
<p>Caso continuem a lamentar a minha rotina cronometrada, penso que vão em breve achar uma bela solução. Ainda não vendam na rede, mas já anunciaram hoje a tarde no programa da televisão. Creio que um mundo de gotas grossas e esparsas na vidraça seja a preferência de tantos, pois um pacote fácil pode ser comprado &#8211; onde o inimigo traça agora o <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,eua-terao-plano-de-paz-para-o-oriente-medio-em-setembro,420756,0.htm">acordo </a>final. Se queres saber, quando vier a liquidação ninguém mais enxergará qualquer mal.</p>
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		<title>No céu de Tegucigalpa</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 02:45:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hemeroteca]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
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		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Miró]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-modernismo]]></category>

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Talvez fossem assim. Infantis como uma obra de Miró. Mas quem seria o ingênuo a buscar esses rótulos para tudo? Estava farta desses selos colados pelo mundo. Mas era assim, ao menos, colorida como os quadros. Divina, como diria o anúncio daquele jornal. Não queria saber o que havia para além daqueles óleos em lonas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/Miró1.jpg" alt="No céu de Tegucigalpa" title="No céu de Tegucigalpa" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-64" /></div>
<p>Talvez fossem assim. Infantis como uma obra de Miró. Mas quem seria o ingênuo a buscar esses rótulos para tudo? Estava farta desses selos colados pelo mundo. Mas era assim, ao menos, colorida como os quadros. Divina, como diria o anúncio <a href="http://www.lemonde.fr/culture/article/2009/08/08/les-divinites-particulieres-de-joan-miro_1226807_3246.html">daquele </a>jornal. Não queria saber o que havia para além daqueles óleos em lonas. Nem julgou os rabiscos infantis daquela exposição.</p>
<p>Na verdade, seu pensamento se concentrava na história. Um <a href="http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup415709,0.htm">muro </a>haveria de soprar as velas desta humanidade e proclamar com desdém o fim de uma utopia que jamais faleceu. Mas que insistiam, sem grande sucesso, jogar terra abaixo como se fossem migalhas as forças de pensamentos e práticas.</p>
<p>Deste muro, quantas barreiras nasceram. E via o passado, tão distante, ser tão real dentro de sua televisão. Era aquilo mesmo que falavam? Era sério aquilo que mostravam? E como ficaria todos aqueles gozos e regurgitos que a pós-modernidade, em sua rede invisível, teimava em enxergar com tamanha nitidez?</p>
<p>Caiu. Esfaleceu. Tombada, no meio da multidão, via as cores primárias daquele artista parecerem menos dolorosas que os traços rasgados de tantos outros. E por mais que continuassem com aquelas ladainhas sem fim na ilha de Vera Cruz, ela, insensivelmente, tentava buscar os <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u610893.shtml">gorilas </a>que ainda garimpavam o sangue-ouro latino.</p>
<p>Não havia nada de mais claro nem de menos perplexo. Era o que ela tinha que paulatinamente ver e deixar-se penetrar pela cãibra e anestesiar-se em busca do mel real. Não, era impossível. Pois, por mais triste e mais flexível que fosse, aquela teia seria facilmente dilacerada pelo olhar de quem se desconhece na injustiça refletida do outro.</p>
<p>Naquele dia, <a href="http://www.laprensa.hn/Sucesos/Ediciones/2009/08/17/Noticias/Anuncian-36-horas-de-lluvia-en-Honduras">chovia</a>. Não se sabe até quando.</p>
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