Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.

Quando saio do asfalto reformado, novo, por vezes prateado, entro dentro da ruela de pedras e barro. O beco assim já arruinado recebe o vento com frio e temor – sobe os restos de papéis e plástico descolados sempre ao seu redor.
Quando saio do azul turquesa, vejo a moldura que se enferruja no coração índico. Penso na diferença de uma terra que antes, tão colorida, agora se resume a não-cor fosca, opaca e desnutrida. Falta uma injeção de vida.
Das casas que sorriam, das festas que amanheciam e das amizades que se lançavam sem perguntas, sem medos e sem vaidades – saudades. Daqui, de onde a tinta se descola da guerra, de onde os dicionários mal se lembram das palavras fraternas e de onde o passado se corrói com o presente – espera.
Brincar de extremos pode ser uma tentação. Cair do ápice para saber o peso que se tem, para descobrir os pensamentos que já não se contem, para ensinar o filho a jamais dizer amém. Brincar de extremos causa problemas de circulação, causa fome e inanição. Brincar não é verbo a se conjugar com nação.
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