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	<title>anacrônicas &#187; Amor</title>
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		<title>O lance dos dados</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 17:24:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Tem quatro livros na mesa, doze artigos no computador, um texto pela metade, não consigo pensar em como fechar as letras para terminá-lo. Tem uma música insistente na cabeça, mesmo que eu não goste do ritmo nem da letra. Menos ainda do cantor. Tem ainda duas sacolas de lixo de ontem que eu esqueci de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/O-lance-dos-dados.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/O-lance-dos-dados.jpg" alt="" title="O lance dos dados" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-577" /></a></div>
<p>Tem quatro livros na mesa, doze artigos no computador, um texto pela metade, não consigo pensar em como fechar as letras para terminá-lo. Tem uma música insistente na cabeça, mesmo que eu não goste do ritmo nem da letra. Menos ainda do cantor. Tem ainda duas sacolas de lixo de ontem que eu esqueci de jogar fora.</p>
<p>Faltei a reunião de ontem, mas tem encaminhamentos para mim. Estou lendo “Crime e Castigo”, parei na terceira parte, não tenho previsão de quando chego ao seu fim. A lista de compras eu fiz, mas só percebi que esqueci no ímã da geladeira quando procurei na bolsa, no estacionamento do mercado.</p>
<p>Hoje eu pensei em apagar essas preocupações da mente, pensei em ir para a praia, mas amanheceu nublado. Lá no fundo as nuvens até mesmo estão roxas. Também não sei se teria ânimo.</p>
<p>Já são duas da tarde, tenho duas atividades para fazer até quarta-feira à noite, não comecei nenhuma delas. O débito automático da conta de energia da casa que morei no ano passado ainda está no meu nome, o serviço de atendimento do banco não me responde.</p>
<p>Acabaram as passagens para o final de semana. Estou na fila de espera da viação. Talvez eles abram vagas em um ônibus extras. Estava mesmo precisando era de te ver.</p>
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		<title>Minha foto amarela</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 02:24:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Quando passava alguns dias sem te ver, ou quando achava que melhor viver seria só, pensava em meu dia a dia sem ti. Podiam ser cheios de cenários, com mil indecisões ou lembranças, mas montava meu filme em mim. A partir disso, vinha o pensamento de como seria o passo de dizer que não, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Minha-foto-amarela.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Minha-foto-amarela.jpg" alt="" title="Minha foto amarela" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-459" /></a></div>
<p>Quando passava alguns dias sem te ver, ou quando achava que melhor viver seria só, pensava em meu dia a dia sem ti. Podiam ser cheios de cenários, com mil indecisões ou lembranças, mas montava meu filme em mim. A partir disso, vinha o pensamento de como seria o passo de dizer que não, não seríamos eternos, não teríamos nosso altar, não seríamos mais cotidianos do outro – tão usuais e tão inovadores.</p>
<p>Por mais que pensemos nas melhores maneiras, todas elas nos parecem bobas, insuficientes, doloridas. Por que teimo em pensar como enfeitar o fio da navalha, se quanto mais afiada mais rápido corta? Invento muitos caminhos para desatar.</p>
<p>Estranho que a culpa engasga em soluços. Temo, ainda, as réplicas. Arquiteto os diálogos, sei o que pode responder, sei como seguir por dentro de tudo que você pode me dizer sem desviar do que quero tanto lhe dizer nesta noite, quando você chegar. Temo também que eu deixe de dar as cartas, que vire o jogo, que eu me perca no improviso. Não sei mais se sei fazer isso. Nem se quero.</p>
<p>Culpados são os tais cenários que se desenham. Uma malha azul jogada no sofá. Uma rede para a tarde balançar&#8230; Minha boca sempre fechada nessas imagens, sem sorrir, sem falar, sem soprar&#8230; Uma aquarela de cores mortas.</p>
<p>Acho que você é minha foto amarela, marcada pelo tempo, com as bordas desfeitas, quase esfareladas. Mesmo assim a guardo comigo, mesmo que triste fique ao redescobri-la entre os álbuns de receitas. São uns golpes de incerteza, uma indescritível seda que desmancha-se pelo chão.</p>
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		<title>Dentro</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 08:53:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.
Repulsa de meus cabelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Dentro-.jpg" alt="Dentro" title="Dentro" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-346" /></div>
<p>Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.</p>
<p>Repulsa de meus cabelos aos ventos, tão longos e desgrenhados, tão desvinculados, desidratados, desavergonhados. E desses desdéns que não se calam, se grita no fundo de alguma alma o calor que perpassa entre os dedos que pensam: doces, sedosos, macios. Feitos de mel, fio a fio, como deslizam nas peles que, em bolhas, se queimam de arrepios.</p>
<p>É do contraste que desenha as linhas dos estômagos, é das lâmpadas que se acendem nos faróis distantes, é isso tudo que constrói os nossos dois lados, o doce e o amargo, o negro e o alvo. Nas ondas daquele além-mar, sem beijo azul e sem turquesa a brilhar, sei que reina o vento, forte sopro, que não cala as velas e silencia a paz – é no fruto deste fervor de furacão que o equilíbrio se enconde e ri.</p>
<p>Palavras que pintam a língua das crianças, montadas em lenços estampados nas costas das mães. Sol que ilumina, perverso, desafia a ilusão e crava as unhas nos olhos ofuscados, que já não separam o sonho da razão. O óleo se mistura na água, evapora e chove nas copas das árvores: não sei quando sou eu, quando não sou, quando me desprendo da pele e viro essa fera, destemida e tímida, calada e eloquente, que a muitos me alcunham simplesmente de coração.</p>
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		<title>Mãe</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 00:22:58 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nunca me recordo quantos são os anos que já soprara. Sopros estes tão diversos, entre brisas suaves e tormentas severas. Sopros que carregam vestígios de um passado, esperanças de um futuro. Nestes meandros de ar encontra o improvável, o previsível, o adequado e o imaginário. Tem na dança de cada curva do vento um olhar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/mãe.jpg" alt="Mãe" title="Mãe" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-301" /></div>
<p>Nunca me recordo quantos são os anos que já soprara. Sopros estes tão diversos, entre brisas suaves e tormentas severas. Sopros que carregam vestígios de um passado, esperanças de um futuro. Nestes meandros de ar encontra o improvável, o previsível, o adequado e o imaginário. Tem na dança de cada curva do vento um olhar que se despetala em formas e sensações extremas.</p>
<p>Conto em metades os anos que estive presente. Anos que se enlaçam entre presenças e ausências. Perdoará as ausências presentes? Recompensará as presenças ausentes? Dentre ideias e ideais, ensina o sorriso do meu silêncio e a timidez de nossos pensamentos. Algo sólido desmanchado no ar que une nossa pele à nossa forma de criar.</p>
<p>Tantos desejos em desdobramentos. Dobraduras de vazios preenchidas pelos tempos. Se ao acordar me olho sempre no espelho, nas molduras que me prendem do outro lado está uma forte parte, uma expressiva imagem, uma decisiva vontade, uma teimosa insistência, uma líquida obediência que enfaticamente faz de mim um punhado de você.</p>
<p><em>Parabéns!</em></p>
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		<title>Infinite-me</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 21:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Trupe de Quinta]]></category>

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As pinturas de nossos dias eram mesmo incomuns. Você, meio surrealista, transbordava-se em sonhos e em psicanálises que eu pensava compreender. Eu, categoricamente barroca, não sabia se buscava as pinceladas de luz ou se me encobria com o pano escuro. Nos fundimos em um típico ready-made.
Os versos que eu declamava nas praças, quando as luzes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/infinito.jpg" alt="Infinite-me" title="Infinite-me" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-263" /></div>
<p>As pinturas de nossos dias eram mesmo incomuns. Você, meio surrealista, transbordava-se em sonhos e em psicanálises que eu pensava compreender. Eu, categoricamente barroca, não sabia se buscava as pinceladas de luz ou se me encobria com o pano escuro. Nos fundimos em um típico ready-made.</p>
<p>Os versos que eu declamava nas praças, quando as luzes dos postes me assistiam sorrindo, era só você quem ouvia. Não sei se compreendia, e isto não era mesmo o esperado. Talvez, penso, se entendesse perderia todo este charme – maldita retórica matemática que tenta recusar os mais belos imprevistos e torná-los todos em provas de nove.</p>
<p>Sabe que as promiscuidades dos lábios são notas musicais que formam até mesmo uma bela canção, mas sempre buscam o intérprete definitivo. Escutava seus passos antes de estender meu lençol. Só, na noite, os sonhos se revestiam de relógios (possivelmente derretidos). É a solda perfeita para na manhã seguinte adornar com precisão o meu infinito e o meu particular.</p>
<blockquote><p><strong>trupe de quinta &#8211; infinito particular</strong><br />
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no <a href="http://www.twitter.com/trupedequinta">twitter</a>. <img src='http://anacronicas.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://amandaoliveira.wordpress.com/">amanda oliveira</a> • <a href="http://eu-quero-saber.blogspot.com/">andré pacheco</a> • <a href="http://www.flickr.com/photos/belpompermayer">izabel pompermayer</a> • <a href="http://laramarx.wordpress.com">lara marx</a> • <a href="http://elementarmeucaroblog.wordpress.com/">nati boaventura</a> • <a href="http://www.diarioinbordo.blogspot.com/">rafael glass</a> • <a href="http://faixademobius.blogspot.com">rodrigo casales</a> • <a href="http://naoestasendofacil.wordpress.com ">victor godoi</a></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>O Palco</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 01:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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O palco era em círculo, todo mundo poderia me ver ao mesmo tempo e em ângulos diferentes. Eu começava no centro, uma luz me iluminava. A música intensa. As lâmpadas do teatro esquentam, faz calor, começava a suar. Isso era como respirar o palco que pulsava dentro de mim. Antes de começar a recitar, prendia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/Palco.jpg" alt="Palco" title="Palco" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-252" /></div>
<p>O palco era em círculo, todo mundo poderia me ver ao mesmo tempo e em ângulos diferentes. Eu começava no centro, uma luz me iluminava. A música intensa. As lâmpadas do teatro esquentam, faz calor, começava a suar. Isso era como respirar o palco que pulsava dentro de mim. Antes de começar a recitar, prendia cordas entre as escadas. Cada escada, na verdade, era um pedaço da arquibancada.</p>
<p>Este era o único momento que eu poderia olhar para eles, que a todo instante me notavam. E, como disse, em todos os ângulos. Amarrei a primeira corda. Uma senhora de vestido azul me olhava com medo, ou seria apenas seriedade. Eu fixei meus olhos no fundo dos dela, ela ficou com a mesma reação. </p>
<p>A segunda corda eu amarrei rapidamente. Mal deu para notar que o rapaz que estava na terceira cadeira a minha esquerda sorria para mim. Talvez fosse melhor assim, eu poderia me inebriar a dúvida sobre o que poderia causar tão impacto dentro de todo o drama que eu começara a recitar?</p>
<p>A terceira corda, uma menina de preto dos pés à cabeça. Mas no lábios um vermelho discreto, um batom vaidoso de quem nunca sai de casa, que esconde aquela maquiagem – certamente um presente de um parente. O contorno de seus lábios era um sorriso misterioso. Só parecia completo se você percebesse ao mesmo tempo os seus olhos graúdos em jabuticabas. Doces e afiados, convidavam e repudiavam que fossem vistos por muito tempo.</p>
<p>Era um pulsar gélido dentro de mim, diante daquele olhar que me despia, me cobrava e me ridicularizava em minha posição. Tinha todo um texto a terminar, era meu monólogo, meu ato, minha tragédia. A dama petulante conseguira desatar as cordas de meu personagem de mim. Senti-me nu. Proferi as últimas frases com um alívio típico dos suspenses, com uma nota que não combinava com meus gestos.</p>
<p>A luz baixou. Fim da peça. O suor do calor das lâmpadas se agrava com minha ofegante respiração. Minhas mãos gelam. Olho para a plateia. Busco a moça de preto. Não deixou sequer o rastro de seu batom barato. Não está mais ali a minha provocação. Insolente, foi-se. Deixou-me ali – ator, ato, atado.</p>
<p><em>*Foto tirada <a href="http://weheartit.com/entry/572009">daqui</a>.</em></p>
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		<title>Asas tortas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 14:58:33 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[
O menino do portão, quando volta pra casa, sempre se desespera. É porque encontra os mesmos versos sujos e molhados perto da pia da cozinha. Sabe que ninguém irá recolher eles. Lava as letras, todas, uma a uma. Perde-se em um abecedário que não pronuncia. São sons mudos e letras sem traços. Toca o invisível, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/asas.jpg" alt="Asas Tortas" title="Asas Tortas" width="510" height="150" class="aligncenter size-full wp-image-214" /></div>
<p>O menino do portão, quando volta pra casa, sempre se desespera. É porque encontra os mesmos versos sujos e molhados perto da pia da cozinha. Sabe que ninguém irá recolher eles. Lava as letras, todas, uma a uma. Perde-se em um abecedário que não pronuncia. São sons mudos e letras sem traços. Toca o invisível, mexe com ilusões.</p>
<p>Logo depois, ele brinca com as imagens itinerantes. Elas circulam na caixa e deixa o menino ter sono. Elas são luzes, não tem contorno, mas são nítidas, e brilham no rosto dele. Retroprojetor de escamas ressecadas da imaginação.</p>
<p>Ele, agora em sonhos e roncos, sente apenas o brusco respirar e o insistente pulsar agudo em suas veias. É a mestria de uma orquestra desafinada eleita a melhor do mundo. É ele o jurado falso que engana em seus vetos e permissões.</p>
<p>O menino arrota uma borboleta e, num gesto impensado, prende-a com os dentes. Não se desespera em suas asas o estranho ex-lagarto. Com a calma se encontra e desgruda da saliva e da gengiva. Agora abre suas asas novamente.</p>
<p>Uma delas, intacta, transparece a cintilante vontade de voar. A outra, agora torta, renasce em cada sopro do vento, mirando o inatingível e tocando o surreal. </p>
<p>O menino só é capaz de traçar a espera enquanto ela dança erroneamente em suas perfeitas pinceladas de amor. A ferrugem do ferrolho denuncia a chegada. Seca o chão, recolhe as letras, balbucia as palavras. Corre entre os sons e os relampejos e desmonta-se em risos.</p>
<p>Saudade parte para os olhos se cruzarem. Abraça a pele doce e permite que a borboleta circule, em suas brisas e tormentas, por entre a partida e o reencontro daquele par. Casulo fiado com esmero encoberta o desejo do amanhã já não mais se repetir. Na certeza do equívoco, ruflam as asas tortas em seu devir.</p>
<p><em>(texto antigo perdido em um e-mail&#8230;)</em></p>
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		<title>Flor d&#8217;água</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 12:17:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[

O véu de estrelas no céu, a grinalda cintilante em pétalas. Teus pés ao pousarem sobre o vermelho inicia a procissão de um vida. Os bancos de madeira se levantam para ver teu sorriso passar por entre os corredores e labirintos deste corredor. As escadas te elevam, finalmente.
Teu braço agora é empossado, suas luvas são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd">
<divimage><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/saramago.jpg" alt="Flor d'água" title="Flor d´água" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-185" /></divimage></div>
<p>O véu de estrelas no céu, a grinalda cintilante em pétalas. Teus pés ao pousarem sobre o vermelho inicia a procissão de um vida. Os bancos de madeira se levantam para ver teu sorriso passar por entre os corredores e labirintos deste corredor. As escadas te elevam, finalmente.</p>
<p>Teu braço agora é empossado, suas luvas são esquecidas para que a coroem com o ouro reluzente. Eis a oferenda do seu dia. Das frases que sussuram e das promessas que nem entendes, esquecerás.</p>
<p>O desenho da silhueta em um preto, chumbo, cinza. Esconde a nudez do mundo com as colunas da casa de hipocrisias. Alinhados para as convenções. Voará as flores que os acompanharam. Sorrirá a criança em vestido rosa e sapatos de boneca.</p>
<p>Narram as quedas com luxo,traçam os fracassos com maestria e pintam as tristezas com poesias. Lava cada pedaço de teu corpo com os ditados, persegue sua consciência com um argumento falso e acredita que garimpa numa mina a felicidade de seu dia &#8211; perdida entre pedras e diamantes, esquece o mais puro dever de se lapidar, de se permitir, de profanar.</p>
<blockquote><p>&#8220;Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.&#8221;<br />
- José Saramago</p></blockquote>
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		<title>Siempre</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 03:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Como a espuma das ondas do mar. Qual sabor deve ter? Da paz que se faz quando se observa, da fúria que devasta quando menos se espera. Alguns segredos escondidos, prontos para insurgirem mais uma vez, rachar todas as naus e todos os portos que não são abertos para os sonhos passarem.
Você – tal qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/simepre.jpg" alt="Siempre" title="Siempre" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-180" /></div>
<p>Como a espuma das ondas do mar. Qual sabor deve ter? Da paz que se faz quando se observa, da fúria que devasta quando menos se espera. Alguns segredos escondidos, prontos para insurgirem mais uma vez, rachar todas as naus e todos os portos que não são abertos para os sonhos passarem.</p>
<p>Você – tal qual a espuma do mar – esconde a força que lhe carrega com destreza. Não esconde por desejo teu, certamente. Esconde porque eles não compreendem que nunca se separou da força das ondas, nem mesmo teu corpo foi além disto, nem tua vida.</p>
<p>Os sais a derramar serão chamas a te lembrar. Ardem as águas ao enfrentarem as rochas. Partem as pedras que pensam lhe desafiar. Mas sabes, é bem verdade, que teu último sorriso neste banho líquido é uma promessa que os tridentes do além-mar ainda farão ressoar.</p>
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		<title>Palavras finais</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 21:26:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[
- Você vai?
- Sim.
- E volta?
- Não sei.
- O que decide?
- O talvez.
- Sou eu?
- Depende.
- Sou eu.
- Como?
- Vá.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/5f826f5ede14284c2cc5674dc3bb24531.jpg" alt="Palavras finais" title="Palavras finais" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-163" /></div>
<p>- Você vai?<br />
- Sim.<br />
- E volta?<br />
- Não sei.<br />
- O que decide?<br />
- O talvez.<br />
- Sou eu?<br />
- Depende.<br />
- Sou eu.<br />
- Como?<br />
- Vá.</p>
]]></content:encoded>
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