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	<title>anacrônicas &#187; Avatar</title>
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		<title>Nós</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 21:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes e livros e afins !]]></category>
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Azul, nos tons mais sublimes que aquela tela podia comportar. Era assim que se desenhavam o filme, a mensagem, os efeitos. Este azul se explodia em mais cores, em mais vidas, em mais tons dentro de Pandora. Este encanto, tal qual a caixa mitológica, verá os males despertados e apenas a esperança encravada no colo [...]]]></description>
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<p>Azul, nos tons mais sublimes que aquela tela podia comportar. Era assim que se desenhavam o filme, a mensagem, os efeitos. Este azul se explodia em mais cores, em mais vidas, em mais tons dentro de Pandora. Este encanto, tal qual a caixa mitológica, verá os males despertados e apenas a esperança encravada no colo da mulher-deusa que havia todas pragas libertado. Neste redemoinho de tragédia e ambição, os olhos distantes dos espectadores se perturbam com o enredo.</p>
<p>Qual o ponto mais denso desta angústia que comprime as poltronas do cinema? Reconhece nos desenhos das ações dos chamados vilões a atitude mesquinha que reproduzimos incessantemente no nosso cotidiano? Seria difícil achar um exemplo de um <a href="http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/vale-e-condenada-a-recompensar-financeiramente-indios-pelo-uso-de-terras"><strong>mina </strong></a>que se transformou em jazidas de um povo? Seria difícil achar um <a href="http://questoes.blogs.com/cartas_ao_sistema_de_arte/images/a_funai_trouxe_os_ndios.jpg"><strong>pensamento </strong></a>que julgasse como atraso os passos de povos originários? Estaria a lua de Polifemo orbitando em algum lugar realmente distante de nossos <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2010/02/14/e-o-guarani-continua-persona-non-grata-em-sua-propria-terra/"><strong>próprios pés</strong></a>?</p>
<p>Avatar disseca um homem alienado da natureza. O filme mostra a alienação do homem pelo homem. O que todos reconheceram nos fictícios seres azuis passa despercebido por tantos atos de nossas próprias mãos. As nossas riquezas pareciam ofuscadas por uma lua tão belamente projetada por mentes humanas. A cultura deles – rica em magia, em crenças, em fé – parecia receber nossa cumplicidade por mais que o reino que criamos todo dia seja erguido em intolerância. Era como olhar pelo espelho, mas encontrar, do lado de lá, o fantástico, o extraordinário, o espantoso.</p>
<p>Um <a href="http://www.fayerwayer.com.br/2010/01/depressao-pos-avatar-se-espalha-entre-fas/"><strong>vazio </strong></a>pode preencher todas as suas veias saindo daquela caixa – a esperança pode até mesmo parecer vacilante quanto a sua firme posição. Pensar em fugir para Pandora é um novo tormento. Querer viver Pandora, uma nova vontade. A real aspiração de todos parece um uníssono: queremos viver nosso avatar. A Terra, agora, apenas apagada, abandonada em sua insignificante diversidade, em sua saturada natureza, já tão sem brilho e sem magia, parece funcionar como uma fonte que deve a todos ser capaz de levar, claro, à Pandora. Nossa terra, nosso chão, nossa história, tão alienadamente azuis, já não querem mais oxigenar neste planeta. Para esses anseios, é a frase de Quaritch que deve repousar na mente: “Como você se sente traindo a sua própria espécie?”.</p>
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