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	<title>anacrônicas &#187; Decepção</title>
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		<title>A mosca</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 00:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aspas]]></category>
		<category><![CDATA[Decepção]]></category>
		<category><![CDATA[Falsidade]]></category>

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(&#8230;)
&#8220;Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.&#8221;
- Machado de Assis, sobre a mosca azul
Lançavam os fios de prata, trançando-os a envolver as vigas que iriam embasar toda a construção. Cada volta dada era um alívio, uma confiança e uma projeção. Era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/12/a-mosca.jpg" alt="a mosca" title="a mosca" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-332" /></div>
<p>(&#8230;)</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,<br />
Rota, baça, nojenta, vil<br />
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela<br />
Visão fantástica e sutil.&#8221;</em><br />
- Machado de Assis, sobre a mosca azul</p></blockquote>
<p>Lançavam os fios de prata, trançando-os a envolver as vigas que iriam embasar toda a construção. Cada volta dada era um alívio, uma confiança e uma projeção. Era o fruto de um passado, o gesto honesto do presente e a dádiva esperada do futuro. Cada qual ajudava a fiar a prata, a desenhar a rede metálica, a construir o único pelo todo.</p>
<p>Certo dia bem disseram que apenas a prata não era suficiente, que a rede perdia assim sua grandiosidade e seu valor. Não havia como se cultuar aquela inexpressividade estética e vazio agressivo da teia de metal. Foi então que buscaram as fiadeiras de ouros para que este, reluzente, adornasse e firmasse com mais maestria a essência do que seria fincado.</p>
<p>O aço, agora envolto dos mais variados fios de prata e ouro, ainda parecia insatisfeito com a orquestra de movimentos que se revezava em seu redor. Sentiam agora, as mãos calejadas dos esforços, que faltava algo ainda mais belo, sublime e nobre que desse força, símbolo e respeito à base do devir. Fez-se agora mais do que necessário que cravejassem as pedras raras de todo o mundo.</p>
<p>Com topázios e diamante, entre rubis e esmeraldas, chegaram de todas as partes viajantes que, encantados com tão farta arquitetura, puseram-se à disposição da aventura estratégica e do destino promissor. Agora, qualquer feixe de luz se multiplicava dentro daquela estrutura trançada em pratas e ouros, levantada no mais forte aço e temperada nas mais belas gemas de pedras.</p>
<p>Já quando a lua subiu ao céu e a multidão bestificada ainda babava perante a soberania de magnitudes erguida em sua fronte, a surpresa se alastrou. Tal qual maldição,  estrutura de todo o horizonte se desfez em pó. As tranças de ouro, pó. As redes de prata, pó. As pedras preciosas, pó. As vigas de aço, pó. E não era necessário nada além disso para sustentar aqueles corpos ébrios. </p>
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