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	<title>anacrônicas &#187; Desespero</title>
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		<title>Sobre o meu suicídio (com o perdão da palavra&#8230;)</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 23:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
A pronúncia da palavra suicídio é afiada. O som das letras juntas, uma por uma, parece o fio de uma faca, os lados prateados espelhando quem a maneja. Um corte feito no ar, um corte feito para sangrar. É quase uma palavra proibida, a ser queimada a língua daquele que a pronunciar.
Suicídios são clichês. Até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://depoisdosquinze.com/2010/07/parte-ii-seu-estilo-de-fotografar/"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/Sobre-o-meu-suicídio.jpg" alt="" title="Sobre o meu suicídio" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-611" /></a></div>
<p>A pronúncia da palavra suicídio é afiada. O som das letras juntas, uma por uma, parece o fio de uma faca, os lados prateados espelhando quem a maneja. Um corte feito no ar, um corte feito para sangrar. É quase uma palavra proibida, a ser queimada a língua daquele que a pronunciar.</p>
<p>Suicídios são clichês. Até porque não tem muito o que se inventar mesmo. É a corda amarrada no alto do quarto e o tamburete caído ao chão. A mão fechada denunciando que buscou se segurar em algo antes da queda de tantos metros do vão. Os comprimidos da caixa de tarja preta dissolvendo em excesso no estômago daquele que se encontra no sofá da sala.</p>
<p>O meu suicídio não foi inovador, exceto pela razão. Se até mesmo os adolescentes que descobrem que o mundo é feito no silenciar das questões existenciais sabem passar em gestos leves e não profundos a lâmina em seus pulsos, em muitos suicídios buscam nestas mesmas questões as maiores razões. A desconfortável tarefa de saber viver.</p>
<p>Quando não isso, a mais desconfortável ainda tarefa de viver a vida que vivemos. Aí deixa de ser a vida a vilã, e sim suas circunstâncias. Algo como os problemas que passam por sua vida, ou os triunfos que passam por você &#8211; sim, não são só as tristezas que nos colocam em xeque. A cobrança de si põe você mesmo em risco seja em qual parte dos opostos você esteja.</p>
<p>Mas não foram minhas derrotas nem minhas conquistas, minhas circunstâncias nem minha vida. Tampouco o mero experimento que fizeram de mim um corpo em suicídio. É uma bomba-relógio que mora dentro da gente que nos obriga a partir para suportar a nós mesmos, enquanto parte de carne e de sangue. Nem sei se era bem o que eu queria, nem sei se fui eu mesma que decidi. Mas ontem a noite o meu corpo era assim, substantivo-suicídio, e ninguém duvidou do excêntrico em mim.</p>
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		<title>Os sonhos que não foram</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 00:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[
Lembro quando acordei e era de tarde. Chovia bastante, estava um pouco frio. Tomei banho, separei uma roupa e comecei a me arrumar para ir a um bar no fim do dia. Essa ida ao bar, que despertara junto comigo naquela tarde, era nítida em minha memória: lembrava perfeitamente do convite, dos sorrisos, da hora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/2313550"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/Os-sonhos-que-não-foram.jpg" alt="" title="Os sonhos que não foram" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-605" /></a></div>
<p>Lembro quando acordei e era de tarde. Chovia bastante, estava um pouco frio. Tomei banho, separei uma roupa e comecei a me arrumar para ir a um bar no fim do dia. Essa ida ao bar, que despertara junto comigo naquela tarde, era nítida em minha memória: lembrava perfeitamente do convite, dos sorrisos, da hora marcada e das confirmações de presença.</p>
<p>Quando cheguei à sala, minhas amigas com quem eu dividia a casa se espantaram com o fato de eu estar arrumada para sair. Pensei que era por causa da chuva forte que fazia e, já que não tínhamos carro, iríamos cancelar a nossa ida. Mas hei que o engano estava em toda a história. Afinal, nunca houvera o convite, os sorrisos, a hora marcada, tampouco presenças a confirmar.</p>
<p>O problema estava na minha incapacidade em diferenciar sonhos e realidade. E já não era a primeira vez que aquilo acontecia. Cenas prosaicas iam se mesclando em minha mente, mas eram falsas verdades, passado imaginado que não pertencia ao meu dia a dia. Era eu mesma sendo incapaz de discernir o real do imaginário, era eu mesma capaz de me enganar sem nenhum parte de mim se divertir.</p>
<p>A minha insônia agudizou. Meus olhos iam se afundando. Era como se a cama fosse uma prisão da minha realidade, perfurando minha mente com estacas afiadas. Eu temia meus sonhos, pois temia não saber mais de que passado eu era feita ao acordar.</p>
<p>Eram poucas as horas que eu dormia por dia. Consumida pela loucura da incompreensão (principalmente da auto-incompreensão), duvidei de mim mesma. Eu, minha principal inimiga. Minhas recordações foram postas em xeque: esta infância que tanto me recordo me pertence ou é apenas feita de sonhos que tomei como verdade?</p>
<p>Cada novo dia, uma nova dificuldade, uma nova possibilidade, um peso de sonolência. Meu coração acelerava só de pensar que aquela que evitava seus sonhos, botes de falsas realidades, poderia mais cedo ou mais tarde acordar deste pesadelo. Como desejar acabar com os sonhos se já não se sabe o que é real? </p>
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		<title>Não sabia nada</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 01:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[
Começou em uma segunda-feira. Acordou e não sabia onde estava. Manta listrada, abajur de palha, cômoda com cinco gavetas e uma televisão pequena no canto do quarto. No criado mudo, o relógio marcava dez horas. Era fato que não deveria ter dormido até aquele horário, mas por que será que não acordou? E se acordasse, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/não-sabia-nada.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/não-sabia-nada.jpg" alt="" title="não sabia nada" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-449" /></a></div>
<p>Começou em uma segunda-feira. Acordou e não sabia onde estava. Manta listrada, abajur de palha, cômoda com cinco gavetas e uma televisão pequena no canto do quarto. No criado mudo, o relógio marcava dez horas. Era fato que não deveria ter dormido até aquele horário, mas por que será que não acordou? E se acordasse, para onde iria?</p>
<p>- Para onde eu iria? </p>
<p>Ecoava a pergunta em sua mente. Não tinha ideia e quando menos pode perceber, já não se recordava sua idade. Foi para a cozinha esquentar a água para o chá. Sensação esquisita de reconhecer as paredes, os tapetes e as louças, mas de não conseguir se entender dentro daquele ambiente (sendo que não o considerava hostil).</p>
<p>Sentou-se na cadeira da cozinha e deixou a água fervendo. Não conseguiu se lembrar com o oque trabalha, o que estudou nesta vida, quais livros havia lido e quantos amores tinha vivido. Olhou para as mãos, elas esfriavam com tantos espasmos de memórias perdidas. A testa não poderia estar mais enrugada.</p>
<p>Desistiu do chá. Ligou a televisão e não entendia o que a apresentadora dizia, ainda que soubesse que era a mesma língua que ele há dez minutos balbuciou em uma pergunta ainda sem resposta. O silêncio, pouco a pouco, virou ruído em sua mente. Não havia música em esquecer de tudo – o que na verdade era esquecer de si.</p>
<p>Não quis ligar para ninguém, nem mesmo teria a quem. Não quis escrever, nem sair do apartamento, nem lavar o rosto, nem nada comer. Olhou o mundo pela janela e não sabia que cidade era aquela. Em uma fração de segundo, esteve convicto de que também não se lembraria da quebra de seus ossos no impacto de uma queda.</p>
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		<title>Dentro</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 08:53:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.
Repulsa de meus cabelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Dentro-.jpg" alt="Dentro" title="Dentro" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-346" /></div>
<p>Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.</p>
<p>Repulsa de meus cabelos aos ventos, tão longos e desgrenhados, tão desvinculados, desidratados, desavergonhados. E desses desdéns que não se calam, se grita no fundo de alguma alma o calor que perpassa entre os dedos que pensam: doces, sedosos, macios. Feitos de mel, fio a fio, como deslizam nas peles que, em bolhas, se queimam de arrepios.</p>
<p>É do contraste que desenha as linhas dos estômagos, é das lâmpadas que se acendem nos faróis distantes, é isso tudo que constrói os nossos dois lados, o doce e o amargo, o negro e o alvo. Nas ondas daquele além-mar, sem beijo azul e sem turquesa a brilhar, sei que reina o vento, forte sopro, que não cala as velas e silencia a paz – é no fruto deste fervor de furacão que o equilíbrio se enconde e ri.</p>
<p>Palavras que pintam a língua das crianças, montadas em lenços estampados nas costas das mães. Sol que ilumina, perverso, desafia a ilusão e crava as unhas nos olhos ofuscados, que já não separam o sonho da razão. O óleo se mistura na água, evapora e chove nas copas das árvores: não sei quando sou eu, quando não sou, quando me desprendo da pele e viro essa fera, destemida e tímida, calada e eloquente, que a muitos me alcunham simplesmente de coração.</p>
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		<title>Fôlego</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 01:09:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Cada gota de suor que saia da minha nuca escorrendo pelas minhas costas se esfriavam rapidamente. Eram leves e tenras, sempre arranhando o leito de suas corridas. Quando percebi que estava mais fria do que o normal, senti que minha visão entrava em um destino turvo, sem saber distinguir as realidades dos sonhos, as exatidões [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/folego.jpg" alt="Fôlego" title="Fôlego" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-308" /></div>
<p>Cada gota de suor que saia da minha nuca escorrendo pelas minhas costas se esfriavam rapidamente. Eram leves e tenras, sempre arranhando o leito de suas corridas. Quando percebi que estava mais fria do que o normal, senti que minha visão entrava em um destino turvo, sem saber distinguir as realidades dos sonhos, as exatidões dos incompreensíveis.</p>
<p>Um lapso do meu tempo foi esquecido. Fui escorada em ombros de quem nem me recordo o nome. Sentada na cadeira do ônibus, aguardei seu esvaziamento. Meus braços estavam imóveis, imersos em cãibras que me agoniavam e me deixavam mais afastadas do meu cotidiano. O desespero batia firme em meu coração, que poderia a qualquer instante ver um sopro se tornar um furacão.</p>
<p>Com o pisca-alerta ligado e com a mão intensamente na buzina, o ônibus desgovernou-se da lógica diária para ir rumo ao hospital mais próximo. Consegui mexer meus dedos, consegui eu mesma tomar água e secar minhas lágrimas com as mãos. </p>
<p>A cadeira do hospital me guiou por instantes pelas ruas e corredores. Atendimento, senha número 53. É tarde, há tarefas lá fora. Consultório, previsão de 381 minutos. É muito, há vida lá fora. Guardei aquele pedaço dentro de meu suor, da aflição comum e silenciosa que nos ronda diariamente. Afoguei aqueles instantes como quem não percebe o último gole de água.</p>
<blockquote><p><strong>trupe de quinta &#8211; afogamento</strong><br />
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no <a href="http://www.twitter.com/trupedequinta">twitter</a>. <img src='http://anacronicas.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://amandaoliveira.wordpress.com/">amanda oliveira</a> • <a href="http://eu-quero-saber.blogspot.com/">andré pacheco</a> • <a href="http://elisafranca.wordpress.com/">elisa frança</a> • <a href="http://www.flickr.com/photos/belpompermayer">izabel pompermayer</a> • <a href="http://laramarx.wordpress.com">lara marx</a> • <a href="http://elementarmeucaroblog.wordpress.com/">nati boaventura</a> • <a href="http://www.diarioinbordo.blogspot.com/">rafael glass</a> • <a href="http://faixademobius.blogspot.com">rodrigo casales</a> • <a href="http://naoestasendofacil.wordpress.com ">victor godoi</a></p></blockquote>
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		<title>Descolar</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 22:18:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Desfiou minha córnea suavemente. Era uma dança que a pinça fazia ao beliscar aquela fina película que envolvia meu olho direito. Sentia um asco quando o rapaz levantava rapidamente o lábio superior quando conseguia descamar mais um pedaço da minha córnea. Um feixe de sombra invadia impacientemente minha visão.
Na íris, injetou três gotas de ácido. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Descolar.jpg" alt="Descolar" title="Descolar" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-282" /></div>
<p>Desfiou minha córnea suavemente. Era uma dança que a pinça fazia ao beliscar aquela fina película que envolvia meu olho direito. Sentia um asco quando o rapaz levantava rapidamente o lábio superior quando conseguia descamar mais um pedaço da minha córnea. Um feixe de sombra invadia impacientemente minha visão.</p>
<p>Na íris, injetou três gotas de ácido. Ela petrificou-se. Ardia um pouco, incomodava a sensação de sentir as suas bordas queimadas pela química. Novamente, uma pinça &#8211; agora retirando a minha pedra-íris de mim.</p>
<p>Ao fundo do meu globo ocular, encontrou minha retina. Perguntou se eu tinha certeza que ele poderia arrancá-la de mim. &#8220;Imediatamente&#8221;, respondi. E, em uma fração de segundo, ele a sugou. Não havia mais remédio para a falta de imagens que me encharcava.</p>
<p>&#8220;Continua?&#8221;. &#8220;Sim, exatamente como lhe pedi&#8221;, afirmei. Fazia três anos já que esperava aquele dia. Em uma solução perfeita, um colírio de almas secaria meus olhos das barbáries respiradas lá fora.</p>
<blockquote><p><strong>trupe de quinta &#8211; colírio</strong><br />
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no <a href="http://www.twitter.com/trupedequinta">twitter</a>. <img src='http://anacronicas.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://amandaoliveira.wordpress.com/">amanda oliveira</a> • <a href="http://eu-quero-saber.blogspot.com/">andré pacheco</a> • <a href="http://elisafranca.wordpress.com/">elisa frança</a> • <a href="http://www.flickr.com/photos/belpompermayer">izabel pompermayer</a> • <a href="http://laramarx.wordpress.com">lara marx</a> • <a href="http://elementarmeucaroblog.wordpress.com/">nati boaventura</a> • <a href="http://www.diarioinbordo.blogspot.com/">rafael glass</a> • <a href="http://faixademobius.blogspot.com">rodrigo casales</a> • <a href="http://naoestasendofacil.wordpress.com ">victor godoi</a></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Traçado</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 13:58:57 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Desespero]]></category>
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		<category><![CDATA[Máquina]]></category>
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		<description><![CDATA[
Teclas, travas e traçados. Todos enfileirados. Nossa linha de montagem, nossa falta de vontade, nossa coluna é uma engrenagem. Senta, levanta, pisa e chora. Uma janela sem aurora, uma novela sem demora, uma primavera sem amoras.
Este ritmo obsoleto que pulsa novo dentro de mim. Caminho com minério na veia e sem desejos por nada abstrair. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/Traçado.jpg" alt="Traçado" title="Traçado" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-273" /></div>
<p>Teclas, travas e traçados. Todos enfileirados. Nossa linha de montagem, nossa falta de vontade, nossa coluna é uma engrenagem. Senta, levanta, pisa e chora. Uma janela sem aurora, uma novela sem demora, uma primavera sem amoras.</p>
<p>Este ritmo obsoleto que pulsa novo dentro de mim. Caminho com minério na veia e sem desejos por nada abstrair. Se de vidro, ou de plástico &#8211; tanto faz, transparece. A água que vem sem sais de longe me emudece &#8211; resta algo dentro das curvas, um suspiro na carne crua. O destino é uma mulher semi-nua.</p>
<p>Caso, laço, caos, acaso&#8230; A fita desenrola sem descolar o ontem do amanhã. O hoje é lenda contada para as crianças todas manhãs. Tamanha seja a ordem que gritar o imperador &#8211; proclamem a verdade como a mentira sã.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Deita aqui</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 00:51:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Dizem que existe uma vale esquecido cheio de paisagens e riquezas a nos dar. Uma casa branca de janelas azuis esperam alguém para hospedar. A renda estendida na mesa redonda da sala é agradável, bem fiada e macia. Uma jarro em curvas sustenta uma única rosa branca, nem completamente aberta nem toda fechada – assim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/Vale.jpg" alt="Deita aqui" title="Deita aqui" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-257" /></div>
<p>Dizem que existe uma vale esquecido cheio de paisagens e riquezas a nos dar. Uma casa branca de janelas azuis esperam alguém para hospedar. A renda estendida na mesa redonda da sala é agradável, bem fiada e macia. Uma jarro em curvas sustenta uma única rosa branca, nem completamente aberta nem toda fechada – assim, delicada.</p>
<p>A janela tem uma cortinha de tecido grosso, feita para enrolar entre argolas de madeira. Quando faz sol lá fora, deixe-a aberta que o vento visita docemente os corredores e brinca entre todos os cômodos. O céu, quando finda o dia, deixa o lilás e o azul se beijarem. E tudo isto é disfarçado pela primeira grande estrela-planeta que desponta no céu e convoca a presença da lua, em qualquer uma de suas mil e uma fases.</p>
<p>Diz que lá não se pode andar calçado. É que esqueceram, com o tempo, a textura das folhas secas em uma terra batida. O som natural que se faz quando a pele grossa da sola do pé – que nem por isso deixou de ser delicada – deita no manto seco. Penso que deve ser como o som do açúcar chacoalhando-se nos dentes. </p>
<p>Falaram para mim ontem sobre este lugar. Contaram-me em sonhos. Busco pela casa esquecida, perdida por entre rios e árvores, em cantos e chuvas que compõem uma orquestra de harmonia infinita. Vê, já nem consigo parar de ter os olhos perdidos em um lugar fixo qualquer, a abstrair e pensar naquele vale. Quem dera.</p>
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		<title>Ela</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:12:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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Esqueceu de desligar a luz ao sair de casa. Só fazia isto quando o desespero a tomava. O som dos passos firmes chocava-se nas paredes, ruindo a calma e harmonia que podiam sustentar. Apertou o botão do elevador. Levou a mão até a boca. Descascou o esmalte e roeu insistentemente a mesma unha.
“Boa tarde”, desejou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/Maos.jpg" alt="Ela" title="Ela" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-208" /></div>
<p>Esqueceu de desligar a luz ao sair de casa. Só fazia isto quando o desespero a tomava. O som dos passos firmes chocava-se nas paredes, ruindo a calma e harmonia que podiam sustentar. Apertou o botão do elevador. Levou a mão até a boca. Descascou o esmalte e roeu insistentemente a mesma unha.</p>
<p>“Boa tarde”, desejou ao senhor que já estava no elevador. Apertou o térreo. Três, quatro passos. Parou. Ia chover. Voltou correndo pelas escadas. Seis, sete lances de escadas. Abriu a porta, irritou-se com as lâmpadas acesas. Pegou o guarda-chuva, desligou o interruptor, uma, duas voltas de chave na porta.</p>
<p>No térreo, os passos firmaram-se mais. Protegeu-se da chuva, caminhou pelos quarteirões. Chamou o táxi. “Parque da cidade”, disse. “Se é que ainda fazem parques nas cidades”, sussurrou para si. Notas, moedas, trocados. Sapatos encharcados.</p>
<p>Sozinha, entre as copas de árvores, entre as damas de ouros, chorou. Dezoito, dezenove, vinte lágrimas. Escorria tanto de si por entre o sal e a água. Perfurava tanto de si as gotas densas que já a molhavam. Afundou-se no instante. Prendeu a respiração. Três, dois, um. Voltou a respirar.</p>
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