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	<title>anacrônicas &#187; Doença</title>
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		<title>Balão</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 23:57:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Excêntrico]]></category>

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Acordei às sete horas da manhã. Ao lavar a caneca do leite quente matinal, senti uma protuberância em meu pescoço raspando em minha pele. Toquei levemente com as pontas dos meus dedos. Era mole e não doía. Larguei a caneca e fui para o banheiro. Acendi a luz embutida no espelho e vi que, no [...]]]></description>
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<p>Acordei às sete horas da manhã. Ao lavar a caneca do leite quente matinal, senti uma protuberância em meu pescoço raspando em minha pele. Toquei levemente com as pontas dos meus dedos. Era mole e não doía. Larguei a caneca e fui para o banheiro. Acendi a luz embutida no espelho e vi que, no meu pescoço, tinha uma inflamação arredondada e de tom levemente vermelho, quase um rosado.</p>
<p>Ao subir minha mão para tocar novamente aquele caroço vazio, vi que em meu braço nascia um outro sinal de inflamação. Comecei a me preocupar com aquilo. Um caroço começou a brotar debaixo da unha do meu anelar, foi crescendo até um filete de sangue desenlaçar-se em minha mão. Minha unha descolou da pele, senti uma ardência pela perda.</p>
<p>Foi estranho sentir o desespero ao ver aquelas estranhas mudanças em meu corpo e, ao mesmo tempo, me portar com neutralidade e frieza com os acontecimentos. Eu, espectador de mim mesmo. </p>
<p>Assistia a cena de minhas pernas se inchando, a pele foi ficando mais fina, como se um plástico estivesse sendo esticado em sua completa capacidade. As veias eram desenhos rastreados em alguns contorno de pele. Meus dentes começavam a se entortar e a machucar minha gengiva, minha garganta sentia dificuldades em deixar o ar passar para que os alvéolos – estes também já em crosta de inchaço – pudessem bombear meus pulmões e corpo.</p>
<p>Parei de acompanhar as minhas mutações misteriosas quando minha pupila foi delicadamente substituída por uma película rosada. Inflando, minha visão foi tomada pela cegueira absoluta no último golpe da doença. Minha glote deu o suspiro final ao emperrar minhas possibilidades vitais.</p>
<p>Roxo, desmaiado ao chão, nada ouvia, nada sentia e nada pensava. Minhas pernas pareciam feitas de plástico quando , de súbito, comecei a esvaziar lentamente. No tapete, agora, o relógio marcava dez da manhã. Meu leite já havia se esfriado, estava atrasado para o trabalho. Liguei para o táxi.</p>
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