Ana Maria Amorim odeia se apresentar pela profissão, mas é jornalista. Mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão - sofrimento com sorriso. Ou vice-versa.
Nasci no centro de um labirinto todo feito de paredes naturais, as chamadas cercas vivas. Tão densas, nunca consegui achar uma fenda que me permitisse bisbilhotar o corredor ao lado. A saída era a busca incessante dos meus passos, dia a dia. Passava a maior parte do meu dia tentando me localizar e me manter ciente dos caminhos errados e das chances que ainda tinha.
A altura das paredes dos corredores não permitia que eu espionasse o desenho do labirinto de maneira alguma, isso era um incômodo que aumentava a dificuldade de minha saída, minha suposta liberdade, meu gesto de fuga daquele viver tão estranho, tão cativeiro, tão surreal.
Gestos de desespero me visitavam, a tentativa de perfurar aquelas folhas e caules, de queimar tudo que me cercava, de romper com esse trato subentendido de que eu deveria chegar ao final de algum daqueles corredores. E se esse labirinto sequer tivesse fim? E se seu ponto de partida fosse o desejo de conquista daqueles que eu encontraria lá fora? Aliás, quem eu encontrarei lá fora, afinal?
Seguia o instinto de sair, simplesmente sair. Sem querer questionar muito os motivos de minhas manhãs dormentes entre os corredores que mais pareciam correntes, mantinha a minha busca. Era apenas isso que me alimentava para continuar ali, saber inventar que algum dia aquilo tudo poderia ser parte de um passado, chave de uma resposta, ponto de partida de um outro fim.
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