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	<title>anacrônicas &#187; Liberdade</title>
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		<title>O vizinho sem gramado</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 02:12:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[
Taí uma coisa que sempre incomodou a todos. Nada mais tacanho que viver de comparações. Foi por comparar tanto os sonhos seus com os dos vizinhos que muita gente viveu os passos alheios. Foi por pensar que os sonhos seus eram perfeitos e deveriam seguir em seus filhos que secou sonho a sonho daquele que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/3032360"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/vizinho-sem-gramado.jpg" alt="" title="vizinho sem gramado" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-623" /></a></div>
<p>Taí uma coisa que sempre incomodou a todos. Nada mais tacanho que viver de comparações. Foi por comparar tanto os sonhos seus com os dos vizinhos que muita gente viveu os passos alheios. Foi por pensar que os sonhos seus eram perfeitos e deveriam seguir em seus filhos que secou sonho a sonho daquele que a obedeceu. Foi por comparar em excessos que viveu em misérias.</p>
<p>Ao escrever um texto qualquer, vão indagar sobre as pitadas de Borges que você imprimiu ao texto. O tom melancólico, em sua mente, teve inspiração na Espanca. Se ideológico (engula este seu conceito morno no jantar, mas não compartilhe comigo), me recordará Saramago. E se queres bem saber, não sei de cor nem os nomes nem os traços das personalidades dos tantos Pessoa.</p>
<p>Bem queria que não me contassem suas vidas, que não dividissem suas vitórias, suas maiores conquistas. Mas não pense que por isso me divertiria ao ouvir seus fracassos, sua ruína. O problema é que todos os fatos já vem antemão regados de uma receita prescrita que só e apenas só me cabe seguir.</p>
<p>A sua pressa em me ver igual aqueles que estão agora sentados à frente da TV, esperando o próximo voo, sorrindo sem motivo enquanto conversa na sala de estar (pouco me importa a situação) apenas me prende na inércia de sentir o meu corpo lento para rebater essa perdição. O que falta em uns, é o ouro de tantos, não vê? E aquilo que ele promete ser o que me maltrata, é o outro que tanto quer.</p>
<p>Antes que caia nos seus &#8220;ismos&#8221;, que me enquadro na sua escala, peço apenas por um minuto sua atenção. Quero que pense que agora mesmo tem uma menina correndo numa praia, aos doze anos de idade, cabelos em cachos soltos e uma gaita na mão. Saiba que, se não for com ela, não me abalará com nenhuma dessas suas insossas comparações.</p>
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		<title>Labirinto</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 17:22:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Excêntrico]]></category>
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		<description><![CDATA[
Nasci no centro de um labirinto todo feito de paredes naturais, as chamadas cercas vivas. Tão densas, nunca consegui achar uma fenda que me permitisse bisbilhotar o corredor ao lado. A saída era a busca incessante dos meus passos, dia a dia. Passava a maior parte do meu dia tentando me localizar e me manter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/43615"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/labirinto.jpg" alt="" title="labirinto" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-597" /></a></div>
<p>Nasci no centro de um labirinto todo feito de paredes naturais, as chamadas cercas vivas. Tão densas, nunca consegui achar uma fenda que me permitisse bisbilhotar o corredor ao lado. A saída era a busca incessante dos meus passos, dia a dia. Passava a maior parte do meu dia tentando me localizar e me manter ciente dos caminhos errados e das chances que ainda tinha.</p>
<p>A altura das paredes dos corredores não permitia que eu espionasse o desenho do labirinto de maneira alguma, isso era um incômodo que aumentava a dificuldade de minha saída, minha suposta liberdade, meu gesto de fuga daquele viver tão estranho, tão cativeiro, tão surreal.</p>
<p>Gestos de desespero me visitavam, a tentativa de perfurar aquelas folhas e caules, de queimar tudo que me cercava, de romper com esse trato subentendido de que eu deveria chegar ao final de algum daqueles corredores. E se esse labirinto sequer tivesse fim? E se seu ponto de partida fosse o desejo de conquista daqueles que eu encontraria lá fora? Aliás, quem eu encontrarei lá fora, afinal?</p>
<p>Seguia o instinto de sair, simplesmente sair. Sem querer questionar muito os motivos de minhas manhãs dormentes entre os corredores que mais pareciam correntes, mantinha a minha busca. Era apenas isso que me alimentava para continuar ali, saber inventar que algum dia aquilo tudo poderia ser parte de um passado, chave de uma resposta, ponto de partida de um outro fim.</p>
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		<title>Pássaro de metal</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 20:01:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fim]]></category>
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		<description><![CDATA[
Tinha algumas latas velhas jogadas ao lado do rio. Não havia ninguém comigo até onde meus olhos conseguiam ver. Era eu, o verde distante dos pastos, o rio e as latas deixadas a céu aberto, mais alguns poucos pedaços e rodas de madeira. Caminhei a manhã inteira até chegar ali, com a sede me matando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://katierosepipkin.tumblr.com/post/670817261/new-work-currently-untitled-in-a-very"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Passaro-de-Metal.jpg" alt="" title="Passaro de Metal" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-569" /></a></div>
<p>Tinha algumas latas velhas jogadas ao lado do rio. Não havia ninguém comigo até onde meus olhos conseguiam ver. Era eu, o verde distante dos pastos, o rio e as latas deixadas a céu aberto, mais alguns poucos pedaços e rodas de madeira. Caminhei a manhã inteira até chegar ali, com a sede me matando e a fome de quem tinha na barriga apenas a lembrança da janta de ontem.</p>
<p>As latas penduradas na roda me pareciam pássaros de metal. Com o vento a passar, giravam, e as sombras voavam pela terra aquela dança circular. Era bonito, parecia até mesmo ter cor. Subia o cheiro forte da terra em pó, seca, mas mantinha o mato verdejando, acostumado com o castigo do sol.</p>
<p>Lavei o rosto e os braços, tirei os sapatos e entrei na água com a roupa do corpo, única que tinha comigo. Os pássaros de metal pararam de voar. As madeiras e latas do outro lado do rio me pareciam sem forma, não conseguia nada imaginar, jamais me distrairiam. Era triste, parecia restos secos de alguma flor.</p>
<p>Mergulhei, o suor se diluia no rio, a água gelada acalmava meu corpo. Agora ali, estirada, deixei que meu corpo fosse aos poucos levado pela leve correnteza. Quando parei de ouvir o cantar dos pássaros, fechei os olhos.</p>
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		<title>Carlos Cardoso Vive!</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 00:08:32 +0000</pubDate>
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Não vou mentir: fiquei muito envergonhada em não saber quem tinha sido, na história de Moçambique, Carlos Cardoso. Foi passando por uma das ruas da cidade que vi escrito “Carlos Cardoso Vive!”. Um amigo me perguntou se eu conhecia a história dele e, percebendo que eu não tinha a mínima ideia de quem tinha sido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Carlos-Cardoso-Vive.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Carlos-Cardoso-Vive.jpg" alt="" title="Carlos Cardoso Vive" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-551" /></a></div>
<p>Não vou mentir: fiquei muito envergonhada em não saber quem tinha sido, na história de Moçambique, Carlos Cardoso. Foi passando por uma das ruas da cidade que vi escrito “Carlos Cardoso Vive!”. Um amigo me perguntou se eu conhecia a história dele e, percebendo que eu não tinha a mínima ideia de quem tinha sido ele na história local, começou a me explicar a vida do jornalista.</p>
<p>Uma história marcada pelas batalhas que se travavam em território da África austral, tanto em sua terra natal, Moçambique, como na terra em que estudara, África do Sul. Viveu os processos de independência de um, e do fim do apartheid no outro. Nesse fervor de mudanças, teve a audácia de pautar um jornalismo centrado no combate à corrupção – a ferida viva de ambos países.</p>
<p>Na época, Moçambique era governada por Chissano, segundo presidente do país pela Frelimo. E foi justamente a Frelimo uma das “vítimas” de seu jornalismo investigativo. Pioneiro na mídia independente do país, acompanhou, ainda, o processo de privatização do Banco de Moçambique. O tema fica ainda mais delicado com a presença do filho de Chissano nos interesses desta negociação.</p>
<p>O final desta história repetiu tantas outras. O lado mais fraco da corda partiu. Uma emboscada esperava Cardoso ao final do expediente. Era dia 22 de novembro de 2000. Cardoso saia do jornal Metical em seu carro, quando fora fechado por outros dois veículos. Dois homens desceram do automóvel, cada um com uma metralhadora. Execução sumária: as armas foram descarregadas completamente em Cardoso e seu motorista.</p>
<p>Demorou dois anos, mas a justiça moçambicana fez o julgamento do caso. O principal suspeito do caso, Aníbal Antônio dos Santos Júnior, aguardava o julgamento em uma prisão de alta segurança. Vinte dias antes de sair a decisão judicial, porém, conseguiu fugir da prisão. Documentos da própria polícia revelaram que pessoas internas facilitaram a fuga de Aníbal. O assassino deixaria, ainda, uma frase sobre o crime: &#8220;os verdadeiros autores morais são indivíduos ligados ao nosso partido Frelimo&#8221;. </p>
<p>A falta de resposta dos dirigentes da Frelimo sobre o caso, a impunidade e a pressão internacional para averiguar o crime foram marcas do processo. Carlos Cardoso, calado em sua morte, deixava a lição sobre a arma que era ter um jornal, fazer jornalismo investigativo e ter uma escrita destemida. </p>
<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Carlos-Cardoso-Vive-2.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Carlos-Cardoso-Vive-2.jpg" alt="" title="Carlos Cardoso Vive 2" width="510" height="351" class="aligncenter size-full wp-image-552" /></a></div>
<p><em>* Este foi o último post desta série de textos inspirados na viagem que fiz à África do Sul e Moçambique. Muito ficou a contar, mas muito não consegue ser escrito. :] </em></p>
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		<title>Madiba</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 17:57:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Horas e horas dentro de um avião para atravessar o oceano Atlântico. Sentei-me ao lado de um coreano simpático, que conversou sobre a África comigo durante um bom tempo. Ele mora atualmente em Angola, e ia fazer escala em Joanesburgo. Com sede, chamou o aeromoço. Negro, sulafricano da região de Soweto, o aeromoço parecia não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/A-boa-esperança-1.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/A-boa-esperança-1.jpg" alt="" title="Madiba" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-540" /></a></div>
<p>Horas e horas dentro de um avião para atravessar o oceano Atlântico. Sentei-me ao lado de um coreano simpático, que conversou sobre a África comigo durante um bom tempo. Ele mora atualmente em Angola, e ia fazer escala em Joanesburgo. Com sede, chamou o aeromoço. Negro, sulafricano da região de Soweto, o aeromoço parecia não nos ver. O coreano brincou:</p>
<p>- Ei, Mandela, olha para nós.</p>
<p>O aeromoço se virou no mesmo instante para a gente. Abriu um imenso sorriso e disse que se a gente o chamasse de Mandela ele faria o que pedíssemos, absolutamente qualquer coisa. E ainda completou:</p>
<p>- Se eu estou trabalhando aqui, ao lado de vocês, hoje, eu devo isso ao Mandela. Foi ele que mudou a lei que me proibia de fazer esse serviço.</p>
<p>Esta cena se repete em toda a África do Sul. A imagem do Madiba, como é carinhosamente chamado, está em todos os lugares, em estátuas, em frases, em lembranças daquele país. Os nomes dos prédios, universidades, museus&#8230; Nelson Mandela. Símbolo da luta contra o apartheid, Mandela representa todo o movimento popular que derrotou o regime racista instalado na África do Sul até a década de 90.</p>
<p>Passou, ao todo, vinte e sete anos preso. Vinte deles na ilha de Robben Island, cercada pelas águas frias de um mar de tubarões, hoje patrimônio da humanidade e museu da história da África do Sul. Lá, começou a escrever o livro Long Walk to Freedom. Sua prisão se tornou emblema da luta pela igualdade e ecoava o grito de ordem: Libertem Mandela. </p>
<p>Ao visitar a ilha, fiquei quase todo o tempo em silêncio. O guia é ex-prisioneiro, um dos tantos que lutou contra o fim daquele regime. Os ônibus que circulam com os visitantes trazem frases expostas. No que eu estava, lia-se: “A jornada nunca é longa quando o destino é a liberdade”.</p>
<p>A cela do Mandela continua lá, do jeito que era quando ficou aprisionado. Um cubículo. Cela solitária era dada aos líderes, para evitar confusão. A dieta alimentar era diferenciada pela cor do prisioneiro também. Ao fundo de um salão onde eram amontoados cerca de sessenta prisioneiros, a imagem do Cristo de braços abertos. </p>
<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/A-boa-esperança-2.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/A-boa-esperança-2.jpg" alt="" title="Madiba" width="510" height="100" class="aligncenter size-full wp-image-541" /></a></div>
<p>O banheiro tinha três chuveiros, para aqueles mesmos sessenta prisioneiros. Um pátio fechado ao fundo da construção era onde os “terroristas” trabalhavam à luz intensa do sol. Dizem que o sol foi tão excessivo que não se pode tirar foto do Mandela com flash, pela sensibilidade à luz que ele desenvolveu depois deste tempo na prisão. </p>
<p>Atrás da imagem mística formada em torno de Mandela, estava um movimento contra o apartheid, que deu origem ao partido Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês). Após sua libertação, a África do Sul o elegeu presidente. Hoje, com mais de noventa anos, não fala mais com a imprensa. O ANC segue como o partido mais popular do país, com exceção da região oeste, apenas. </p>
<p>A história da libertação carrega todos os seus méritos, mas ainda enxerga uma realidade de extrema exclusão social. Talvez seja pedir demais de uma história tão nova. Mas, pelas conversas ao vento da África do Sul, dizem que o alzheimer do Madiba nada mais é do que uma benção, pois seus olhos não conseguiriam ver que os valores pelos quais lutou durante a vida inteira iriam, pouco a pouco, se desmanchar no projeto que o país trilha.</p>
<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Never-never-never....jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Never-never-never....jpg" alt="" title="Never, never, never..." width="510" height="100" class="aligncenter size-full wp-image-542" /></a></div>
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		<title>Vento, vento, vento</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 23:56:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Até que ponto nossas engrenagens conseguem acelerar? Posso caminhar lentamente ou rasgar o som em movimento quando bem desejar? Quem pode me segurar de cair por dentro deste poço até achar minha desejada saída? Parece até mesmo que minha mecânica pode pulsar.
Não sei até onde tais pinos e parafusos podem ser ajustados, mas permanece na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/04/vento-vento-vento.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/04/vento-vento-vento.jpg" alt="" title="vento, vento, vento" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-405" /></a></div>
<p>Até que ponto nossas engrenagens conseguem acelerar? Posso caminhar lentamente ou rasgar o som em movimento quando bem desejar? Quem pode me segurar de cair por dentro deste poço até achar minha desejada saída? Parece até mesmo que minha mecânica pode pulsar.</p>
<p>Não sei até onde tais pinos e parafusos podem ser ajustados, mas permanece na mente a voz a gritar: correr, correr, correr. Por mais rápido que possam ser meus pés, por mais fortes que sejam todos os pequenos pedaços de minha coluna, e por mais sofrível que seja arremessar nesse atrito todo o peso do meu corpo, quão mais rápido posso seguir?</p>
<p>Não quero nenhum instante sem essa velocidade. Quero o suor-óleo, o coração-tanque, o pulmão-bomba sempre dispostos para que minha lataria seja mais atrevida, mais desenvolvida, mais alinhada.</p>
<p>Paro os pés juntos no asfalto. Meu próximo passo rumo ao encontro do vento deve em breve chegar. Respiro. Sou interrompida. Pousa o pássaro no alto da trave, atrás de mim. Sinto em mim uma gaiola, de quem corre querendo aprender a voar.</p>
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		<title>Dentro</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 08:53:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.
Repulsa de meus cabelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Dentro-.jpg" alt="Dentro" title="Dentro" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-346" /></div>
<p>Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.</p>
<p>Repulsa de meus cabelos aos ventos, tão longos e desgrenhados, tão desvinculados, desidratados, desavergonhados. E desses desdéns que não se calam, se grita no fundo de alguma alma o calor que perpassa entre os dedos que pensam: doces, sedosos, macios. Feitos de mel, fio a fio, como deslizam nas peles que, em bolhas, se queimam de arrepios.</p>
<p>É do contraste que desenha as linhas dos estômagos, é das lâmpadas que se acendem nos faróis distantes, é isso tudo que constrói os nossos dois lados, o doce e o amargo, o negro e o alvo. Nas ondas daquele além-mar, sem beijo azul e sem turquesa a brilhar, sei que reina o vento, forte sopro, que não cala as velas e silencia a paz – é no fruto deste fervor de furacão que o equilíbrio se enconde e ri.</p>
<p>Palavras que pintam a língua das crianças, montadas em lenços estampados nas costas das mães. Sol que ilumina, perverso, desafia a ilusão e crava as unhas nos olhos ofuscados, que já não separam o sonho da razão. O óleo se mistura na água, evapora e chove nas copas das árvores: não sei quando sou eu, quando não sou, quando me desprendo da pele e viro essa fera, destemida e tímida, calada e eloquente, que a muitos me alcunham simplesmente de coração.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Anarquia verbal</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 18:08:44 +0000</pubDate>
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Fibras claras que se enlaçam. Superfície. Risco rápido que não machuca. Suporte. Canto alto que não se escuta. Música. Todos dias revirados. Passado. Se em mais de uma grampeadas. Relatos. E um dia que não lhe usam. Ofusca.
Rasga o verso de desespero que acordou engasgado. Desperte na poesia apenas as rimas descompassadas. Quem iria se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/anarquia.jpg" alt="Anarquia Verbal" title="Anarquia Verbal" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-298" /></div>
<p>Fibras claras que se enlaçam. Superfície. Risco rápido que não machuca. Suporte. Canto alto que não se escuta. Música. Todos dias revirados. Passado. Se em mais de uma grampeadas. Relatos. E um dia que não lhe usam. Ofusca.</p>
<p>Rasga o verso de desespero que acordou engasgado. Desperte na poesia apenas as rimas descompassadas. Quem iria se importar com a ordem planificada? Sem hierarquias e prontidões, reina a vontade instantânea daqueles que não encontram diversões – nem na liberdade nem na privação.</p>
<p>Quebra linha, quebra lápis, quebra página. Quebra o vidro e a vidraça. Quebra os anjos, os santos, o altar. Quebra as profecias e as profanadas, as previsões e as datas erradas, as desilusões, as soluções e as gargalhadas. Quebra também o sujeito e o predicado, a exclamação, o particípio e o verbo desconjugado.</p>
<blockquote><p><strong>trupe de quinta &#8211; verbo</strong><br />
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no <a href="http://www.twitter.com/trupedequinta">twitter</a>. <img src='http://anacronicas.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://amandaoliveira.wordpress.com/">amanda oliveira</a> • <a href="http://eu-quero-saber.blogspot.com/">andré pacheco</a> • <a href="http://elisafranca.wordpress.com/">elisa frança</a> • <a href="http://www.flickr.com/photos/belpompermayer">izabel pompermayer</a> • <a href="http://laramarx.wordpress.com">lara marx</a> • <a href="http://elementarmeucaroblog.wordpress.com/">nati boaventura</a> • <a href="http://www.diarioinbordo.blogspot.com/">rafael glass</a> • <a href="http://faixademobius.blogspot.com">rodrigo casales</a> • <a href="http://naoestasendofacil.wordpress.com ">victor godoi</a></p></blockquote>
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		<title>Glub-Glub</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 01:23:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Excêntrico]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>

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Odeio inspeções. Portanto, odeio a rodoviária da minha cidade. É que para cada viagem que eu preciso fazer, tenho que passar por um corredor onde são perguntadas e anotadas coisas sobre minha vida e meu comportamento, além de vasculhados todos os meus pertences. Acho incômodo.
O relógio marcava três horas da tarde e meu ônibus sairia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/peixe.jpg" alt="Glub-GLub" title="Glub-GLub" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-270" /></div>
<p>Odeio inspeções. Portanto, odeio a rodoviária da minha cidade. É que para cada viagem que eu preciso fazer, tenho que passar por um corredor onde são perguntadas e anotadas coisas sobre minha vida e meu comportamento, além de vasculhados todos os meus pertences. Acho incômodo.</p>
<p>O relógio marcava três horas da tarde e meu ônibus sairia dali a vinte minutos. Estava na fila de espera do corredor de vistoria. Eu, uma mala vermelha e uma bolsa preta com os documentos pessoais e, como não podia deixar de ser, a passagem.</p>
<p>Minha vez.</p>
<p>Primeiro, entreguei meus documentos e bilhete. Foram bem verificados. A moça, uma jovem baixinha de nariz arredondado começou a me fazer as perguntas. Sua voz conseguia ser levemente mais irritante do que a sua ocupação. </p>
<p>Perguntou se eu estava transportando espécies de nossa flora ou fauna. Não.<br />
Perguntou se eu tinha alergia a algum produto. Não.<br />
Perguntou se eu já tive passagem pela polícia. Mais um vez, não.<br />
Perguntou se era minha primeira viagem. Não&#8230;<br />
Perguntou se eu participava de alguma organização política terrorista. Não. Insistiu. Já disse que não.<br />
Perguntou se eu menti em alguma pergunta, “especialmente na anterior”. Não, não, não.</p>
<p>Lançou seus olhos dos meus pés até minha cabeça. Conferiu a minha mala vermelha. Abriu minha bolsa. Sorriu com a boca mal pintada de vermelho. Agradeceu a minha colaboração com o serviço.</p>
<p>Mala no bagageiro, passagem conferida, poltrona encontrada. Olhava de dentro do ônibus aquela moça. Acenava para ela. O que ela não sabia mesmo é que eu tinha um peixe no bolso. Saí sorrindo, vitoriosa.</p>
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		<title>Deita aqui</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 00:51:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Desespero]]></category>
		<category><![CDATA[Humanidade]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Tempo]]></category>

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Dizem que existe uma vale esquecido cheio de paisagens e riquezas a nos dar. Uma casa branca de janelas azuis esperam alguém para hospedar. A renda estendida na mesa redonda da sala é agradável, bem fiada e macia. Uma jarro em curvas sustenta uma única rosa branca, nem completamente aberta nem toda fechada – assim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/Vale.jpg" alt="Deita aqui" title="Deita aqui" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-257" /></div>
<p>Dizem que existe uma vale esquecido cheio de paisagens e riquezas a nos dar. Uma casa branca de janelas azuis esperam alguém para hospedar. A renda estendida na mesa redonda da sala é agradável, bem fiada e macia. Uma jarro em curvas sustenta uma única rosa branca, nem completamente aberta nem toda fechada – assim, delicada.</p>
<p>A janela tem uma cortinha de tecido grosso, feita para enrolar entre argolas de madeira. Quando faz sol lá fora, deixe-a aberta que o vento visita docemente os corredores e brinca entre todos os cômodos. O céu, quando finda o dia, deixa o lilás e o azul se beijarem. E tudo isto é disfarçado pela primeira grande estrela-planeta que desponta no céu e convoca a presença da lua, em qualquer uma de suas mil e uma fases.</p>
<p>Diz que lá não se pode andar calçado. É que esqueceram, com o tempo, a textura das folhas secas em uma terra batida. O som natural que se faz quando a pele grossa da sola do pé – que nem por isso deixou de ser delicada – deita no manto seco. Penso que deve ser como o som do açúcar chacoalhando-se nos dentes. </p>
<p>Falaram para mim ontem sobre este lugar. Contaram-me em sonhos. Busco pela casa esquecida, perdida por entre rios e árvores, em cantos e chuvas que compõem uma orquestra de harmonia infinita. Vê, já nem consigo parar de ter os olhos perdidos em um lugar fixo qualquer, a abstrair e pensar naquele vale. Quem dera.</p>
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