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	<title>anacrônicas &#187; Maternidade</title>
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		<title>Mãe</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 00:22:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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Nunca me recordo quantos são os anos que já soprara. Sopros estes tão diversos, entre brisas suaves e tormentas severas. Sopros que carregam vestígios de um passado, esperanças de um futuro. Nestes meandros de ar encontra o improvável, o previsível, o adequado e o imaginário. Tem na dança de cada curva do vento um olhar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/mãe.jpg" alt="Mãe" title="Mãe" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-301" /></div>
<p>Nunca me recordo quantos são os anos que já soprara. Sopros estes tão diversos, entre brisas suaves e tormentas severas. Sopros que carregam vestígios de um passado, esperanças de um futuro. Nestes meandros de ar encontra o improvável, o previsível, o adequado e o imaginário. Tem na dança de cada curva do vento um olhar que se despetala em formas e sensações extremas.</p>
<p>Conto em metades os anos que estive presente. Anos que se enlaçam entre presenças e ausências. Perdoará as ausências presentes? Recompensará as presenças ausentes? Dentre ideias e ideais, ensina o sorriso do meu silêncio e a timidez de nossos pensamentos. Algo sólido desmanchado no ar que une nossa pele à nossa forma de criar.</p>
<p>Tantos desejos em desdobramentos. Dobraduras de vazios preenchidas pelos tempos. Se ao acordar me olho sempre no espelho, nas molduras que me prendem do outro lado está uma forte parte, uma expressiva imagem, uma decisiva vontade, uma teimosa insistência, uma líquida obediência que enfaticamente faz de mim um punhado de você.</p>
<p><em>Parabéns!</em></p>
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		<title>Poema escatológico</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 11:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Descartável]]></category>
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		<category><![CDATA[Humanidade]]></category>
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Dos novos bebês que nasciam na cidade, sentia-se o fedor de placenta apodrecida, coágulos de sangue e látex. Sim, látex. Era insuportável o cheiro de plástico, borracha, limpa-vidros que exalava de cada novo ser. E não era tão estranho que assim fosse, pois as camadas de pele não existiam, as crianças possuíam, em seu lugar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/poema.jpg" alt="Poema" title="Poema" width="510" height="280" class="aligncenter size-full wp-image-79" /></div>
<p>Dos novos bebês que nasciam na cidade, sentia-se o fedor de placenta apodrecida, coágulos de sangue e látex. Sim, látex. Era insuportável o cheiro de plástico, borracha, limpa-vidros que exalava de cada novo ser. E não era tão estranho que assim fosse, pois as camadas de pele não existiam, as crianças possuíam, em seu lugar, uma densa textura de balão de festa.</p>
<p>A única diferença é que não possuíam o bico, onde haveria de se encher mais ou de retirar um pouco do ar. Como é que funcionaria o metabolismo destas crianças novas? As peles, enrugadas e borrachentas, pareciam ter uma plasticidade maior. seria um avanço genético? Seria um sinal do fim dos tempos.</p>
<p>Pouco importava o motivo para as mães. Recusaram uma a uma, não seriam capaz de produzir tal anomalia. Esperavam a alta do doutor e iam para casa, como se nunca tivessem entrado naquela maternidade.</p>
<p>Por trás das lentes de seus óculos escuros, a única gota capaz de escorrer seria a do suor para desalojar aquele corpo estranho das entranhas de seus ventres. Nada mais.</p>
<p>As crianças choravam um choro fino e lépido, suas bochechas vibravam. Clamavam pelo prometido instinto maternal e todas as benesses que proviam dele. Nada, nada, nada. Ninguém socorreria seus corpos exóticos nesta noite.</p>
<p>Descartados, no outro dia seriam varridos pelos corredores do hospital. Caixas, seringas, merda, fralda e corpos. Agora, murchos.</p>
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