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	<title>anacrônicas &#187; Música</title>
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		<title>Raul Seixas Love Songs 2</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 20:19:57 +0000</pubDate>
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Todo fã de Raul Seixas é chato quando o assunto, óbvio, é o próprio. Porque todo fã de Raul Seixas sabe que ele fala &#8220;dejejar profundo&#8221; em Tente outra vez, ou que ele dedica a canção &#8220;pra primeira&#8230; m&#8230; garota&#8221;, e se pergunta se ele ia dizer &#8220;mulher&#8221; ou não. Nem preciso dizer que todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Raul-Seixas-Love-Songs-2.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Raul-Seixas-Love-Songs-2.jpg" alt="" title="Raul Seixas Love Songs 2" width="510" height="368" class="aligncenter size-full wp-image-727" /></a></div>
<p>Todo fã de Raul Seixas é chato quando o assunto, óbvio, é o próprio. Porque todo fã de Raul Seixas sabe que ele fala &#8220;<em>dejejar </em>profundo&#8221; em Tente outra vez, ou que ele dedica a canção &#8220;pra primeira&#8230; <em>m&#8230;</em> garota&#8221;, e se pergunta se ele ia dizer &#8220;mulher&#8221; ou não. Nem preciso dizer que todo fã de Raul Seixas é chato porque em qualquer show de qualquer gênero saberá gritar nos intervalos das músicas o célebre pedido: &#8220;Toca Raul!&#8221;. </p>
<p>E os fãs do Raul &#8211; ou seja, chatos &#8211; me lembraram de músicas melosas que eu esqueci. Um crime. E como eu também sou fã do Raul Seixas &#8211; sim, muito da chata &#8211; eu tive que ceder às observações destes. Assim, segue outras músicas do maluco beleza para ouvir a luz de velas.</p>
<p>Primeiro, vamos definir o amor. E em inglês. Segundo Raulzito, o amor é uma número cósmico mágico: &#8220;Divide the number nine, add four and multiply&#8230; love is the answer&#8221;. Dá para acreditar que é o bom e velho Raul cantando uma música que fala três vezes seguidas que o amor é mágico? Pois é (sim, o nome da música é <strong>Love is Magick</strong>)!</p>
<p>Uma música que eu pouco escuto &#8211; e talvez por isso mesmo esqueci &#8211; é <strong>Ângela</strong>. E me lembraram de tal canção. Eu me neguei a escolher um trecho dela, do ínicio ao fim é um pura declaração para Ângela, Ângela, Ângela&#8230;</p>
<p><strong>Coisas do coração</strong>. Podem me condenar por ter esquecido dela. &#8220;Quando a gente se tornar rima perfeita e assim virarmos, de repente, uma palavra só&#8221;&#8230; Paixão e nada mais talvez seja a melhor definição para essa música. Pro olhinho brilhar mais ainda: &#8220;cada um de nós é o resultado da união de duas mãos coladas numa mesma oração&#8221;.</p>
<p>Como Lua Bonita, do post anterior, <strong>Minha Viola </strong>também não foi escrita por Raul. Bem lembraram que Lua Bonita foi escrita por Zé do Norte e Zé Martins. E sabe quem escreveu Minha Viola? Raul Seixas, o pai. Aqui o amor é pela tal viola, pelo sertão, pelo pai. &#8220;E nesse sertão dos meus amores, quando me ponho a tocar, emudecem seus cantores, para nos ouvir cantar&#8221;&#8230;  </p>
<p>Pra terminar, &#8220;Vou te encontrar vestida de cetim, pois em qualquer lugar esperas só por mim&#8230; E, no teu beijo, provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar&#8221;. Tudo bem que é um trecho isolado, afinal a música é um <strong>Canto para minha morte</strong>. E um encontro este que, infelizmente, cedo demais aconteceu.</p>
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		<title>Raul Seixas Love Songs</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 17:06:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Às vezes gosto de declamar trechos das músicas que o Raul Seixas canta. O mais engraçado é quando não identificam a música e simplesmente acham aquela poesia bonita. De fato, um  cara que nem o Raul não é a imagem do estereótipo perfeito do príncipe a andar pelo cavalo branco, único portador dos discursos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://mondocubano.com/wp-content/uploads/Raul-Seixas.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/Raul-Seixas-Love-Songs.jpg" alt="" title="Raul Seixas Love Songs" width="510" height="377" class="aligncenter size-full wp-image-721" /></a></div>
<p>Às vezes gosto de declamar trechos das músicas que o Raul Seixas canta. O mais engraçado é quando não identificam a música e simplesmente acham aquela poesia bonita. De fato, um  cara que nem o Raul não é a imagem do estereótipo perfeito do príncipe a andar pelo cavalo branco, único portador dos discursos românticos (ao menos a imagem que se consolida mais fácil em nossa infância a la Disney, certo?). Ainda, associar frases tão fortemente recheadas de amor ao mesmo mocinho que não é besta pra tirar onda de herói e que diz que o diabo é o pai do rock não é lá muito usual.</p>
<p>Mas não adianta. Se me perguntarem um trechinho bem romântico, daqueles que o coração fica tão grande que parece estar miúdo, são uns bons versos de Raul que me aparecem na mente.</p>
<p>Na onda de um amor mais libertário, o hino é <strong>A maçã</strong>. Dizer que se um amor ficar entre nós dois será tão pobre que irá se gastar pode até ser chocante, mas olhe por tal lado: &#8220;o amor só dura em liberdade&#8221; e &#8220;infinita é tua beleza, como podes ficar presa que nem santa num altar&#8230;&#8221;. Nenhum suspirinho?</p>
<p>&#8220;Minha mãe, me ensina a segurar a barra de te amar&#8221; é um trecho de <strong>Ave maria da rua</strong>. E você aí, achando que o Raul só ligava pro diabo. Errou. Essa me arrepia do início ao fim, mesmo que ouvindo pela centésima vez em um engarrafamento na Barra.</p>
<p>E se você se apaixonasse pela Lua? Taí uma das letras mais belas para mim.<strong> Lua Bonita</strong> é toda a declaração de quem quer roubar apenas o coração de um distante amor comprometido com um sisudo São Jorge. &#8220;Lua bonita, se tu não fosses casada, eu preparava uma escada pra ir no céu te buscar&#8230;Se tu colasse teu frio com meu calor, eu pedia ao nosso senhor pra contigo me casar&#8230;&#8221;.</p>
<p>Empatada com Lua Bonita está <strong>Mata Virgem</strong>. Podem me chamar de piegas, cafona, o que for, mas &#8220;você é roubar manga com os moleques no quintal, é manga rosa, espada, guardiã no matagal&#8221; é uma declaração cheia de sabor. Tudo bem que pode não funcionar com todo mundo, que pode ser estranho demais para alguns, mas para mim ele é mais meloso e romântico que final de filme da sessão da tarde &#8211; e, portanto, tão passível de sonhadores quanto.</p>
<p>E quem me achar brega por ver tanto sentimentalismo nas letras de um barbudo magrela que vivia com um copinho de cerveja, fazendo um rockzinho antigo sobre a luta das aranhas, lhe dedico <a href="http://letras.terra.com.br/raul-seixas/48336/">Tu és o MDC da minha vida. </a>Nem Wando compete.</p>
<p><strong>***</strong><br />
<em><br />
Olha <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Co-5H3w80Ig&#038;feature=player_embedded">esse vídeo</a> com fotos do Raul que tem a música Mata Virgem. Tem um comentário do vídeo feito por Tania Menna Barreto, sua ex-mulher, com quem compôs tal música. =)</em></p>
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		<title>Os shows que perdi</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 22:42:49 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
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Na noite de sexta-feira, fui ao Pelourinho para um show de maracatu. Mesmo com a chuva que não larga a cidade, um bom público apareceu. Foi em uma praça cercada de bares, um palco à frente e um espaço para quem quisesse arriscar uma dança. Foi naquele momento que comecei a imaginar os fantásticos shows [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://picturesalwaysstaythesame.tumblr.com/post/806822047/via-shewilllbeloved-heidiahrakwon"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/os-shows-que-não-fui.jpg" alt="" title="os shows que não fui" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-692" /></a></div>
<p>Na noite de sexta-feira, fui ao Pelourinho para um show de maracatu. Mesmo com a chuva que não larga a cidade, um bom público apareceu. Foi em uma praça cercada de bares, um palco à frente e um espaço para quem quisesse arriscar uma dança. Foi naquele momento que comecei a imaginar os fantásticos shows que não fui e jamais poderei ir. A saudade de um tempo que não vivi.</p>
<p>O primeiro nome que me veio à cabeça, por causa do momento em que estava, foi o João do Vale. O poeta do povo, como dizem, alegraria bem minha noite em cirandas e ainda prestaria muita atenção na história da lavadeira e do lavrador. Sem sombra de dúvidas, o carcará fecharia a minha noite já embriagado do pensamentos.</p>
<p>Que o cowboy fora da lei é peça certa, todos sabem. Ainda não sei se queria encontrar o maluco beleza na praia de Amaralina, num bar do Rio Vermelho, na plateia do Vila Velha, ou num show mesmo, ao som de suas alucinações. O melhor show que poderia assistir seria o som do Raul Seixas na sombra sonora de um disco voador.</p>
<p>Também não sei se era bem um show dos Novos Baianos que eu queria ir. Talvez eu queria ver a gravação de um vídeo deles, ou um encontro para uma partida de futebol. Talvez, por acaso, eu comprasse um ingresso para um show deles sem saber direito que banda era aquela, e acabaria me deslumbrando com tudo aquilo no palco.</p>
<p>Depois desses três nomes, sofri um bloqueio para pensar em quais shows imperdíveis eu não fui, mas queria tanto ter ido. Foi difícil, porque muitos bons nomes apareciam, mas desconfiei que talvez eu iria mais pela companhia, pelo evento, pelo festival, e não pela banda em si. Depois de um tempo, respirei e pensei: Secos e Molhados, Mutantes, Gal Costa cantando &#8220;Divino Maravilhoso&#8221; nos antigos festivais&#8230; </p>
<p>Surpreendida com o fato de só ter listado nomes nacionais, tentei pensar outros países. Eu adoraria ver a Piaf cantar em uma espelunca de Paris, por mais cafona que isso possa parecer. Ouvir La Negra em um show absurdamente lotado no seu retorno à Argentina&#8230; </p>
<p>Parei de pensar os shows em minha cabeça quando aos poucos fui me sentindo injustiça com aqueles que ia esquecendo. Talvez também injusta com tanta música nascendo e eu tão insensível para aventurar esses sentimentos no agora.</p>
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		<title>O som das lembranças</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 07:57:53 +0000</pubDate>
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As músicas das lembranças costumam passar na rádio quando estamos dormindo. Sei disso porque tenho insônia e porque, como as passagens de avião são mais baratas na madrugada, vira e mexe tenho que levar alguém para embarque ou desembarque. É neste momento que deslizo pelas ruas da cidade, o deserto de concreto que parece tão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/3106835"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/som-das-lembranças.jpg" alt="" title="som das lembranças" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-653" /></a></div>
<p>As músicas das lembranças costumam passar na rádio quando estamos dormindo. Sei disso porque tenho insônia e porque, como as passagens de avião são mais baratas na madrugada, vira e mexe tenho que levar alguém para embarque ou desembarque. É neste momento que deslizo pelas ruas da cidade, o deserto de concreto que parece tão suscetível, fraco diante das rodas do carro, doente com aquele silêncio que não se consegue em outro horário.</p>
<p>&#8220;I close my eyes&#8221;&#8230; Essa música me alegra. &#8220;Only for a moment, and the moment&#8217;s gone&#8221;&#8230; Dust in the wind, de Kansas. Se alguém me perguntar alguma outra música da banda, não conseguirei lembrar. Mas essa música, que para alguns pode ser velharia, antiquado, estranho, para mim são lembranças em seu estado mais puro. O pior é que eu não sei explicar porque, simplesmente algumas músicas tem cheiro de nossas histórias. É o caso dessa.</p>
<p>A rádio passou mais algumas músicas que me alegraram, mas que não tocavam em minhas recordações. Restou meus assovios descompassados, as batidas leves dos dedos no volante do carro e o som do parabrisa dançando por entre as finas gotas de água. Assim, meu dia poderia nascer melhor.</p>
<p>Continuei pelas estradas molhadas e vazias. Vez ou outra algum carro me ultrapassava, um caminhão aparecia. Mantive-me na segunda faixa até o final da estrada, peguei o viaduto e logo, logo estava perto de casa. A garagem escura, os carros, mais silêncio. Em minha mente, aquela música continuava tocando.</p>
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		<title>Gal cantou pra mim</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 19:41:58 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade]]></category>

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O hábito de andar pelas ruas próximas começou quando minha cabeça pesava demais dentro do apartamento e a fuligem incomodava a minha tarde. Era como me colocar no varal para que o vento pudesse passar por todos meus cantos, levando o cansaço, a tensão e a apatia que alguns pensamentos teimavam em injetar em mim. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Gal-cantou-pra-mim.jpg" alt="Gal cantou pra mim" title="Gal cantou pra mim" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-371" /></div>
<p>O hábito de andar pelas ruas próximas começou quando minha cabeça pesava demais dentro do apartamento e a fuligem incomodava a minha tarde. Era como me colocar no varal para que o vento pudesse passar por todos meus cantos, levando o cansaço, a tensão e a apatia que alguns pensamentos teimavam em injetar em mim. Em uma dessas caminhadas despreocupadas, sentei no meio fio próximo à uma floricultura.</p>
<p>Um som, um verso, um refrão caía em meus ouvidos. A distração fez com que eu parasse de descascar o esmalte que envernizava minhas unhas. Ainda não sei dizer se o que faz daquela canção ser tão tocante é culpa de sua melodia perfeita ou dos meus desgastados momentos. Cabia alguma arte dentro de mim?</p>
<p>As janelas no alto pareciam atirar em meu corpo, quase derramado na escuridão do asfalto. Derreti exposta ao sol em uma lava improdutiva. Ainda dei um último trago no cigarro antes de mesclar com o resto de petróleo. Não temi a morte.</p>
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		<title>Me compondo</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2009/10/me-compondo/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 00:03:22 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Excêntrico]]></category>
		<category><![CDATA[Humano]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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Não lembro o nome do instrumento, nem sei definir os acordes e ritmos. Nem mesmo sei acompanhar uma música sem errar nas primeiras palavras. Eu tenho um problema com a arte em geral. As minhas pinceladas são sérias, tortas e destoantes do plano que antes eu formava com cores claras e limpas. Mas gosto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/Me-compondo.jpg" alt="Me compondo" title="Me compondo" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-242" /></div>
<p>Não lembro o nome do instrumento, nem sei definir os acordes e ritmos. Nem mesmo sei acompanhar uma música sem errar nas primeiras palavras. Eu tenho um problema com a arte em geral. As minhas pinceladas são sérias, tortas e destoantes do plano que antes eu formava com cores claras e limpas. Mas gosto de ver as molduras que guardo no meu quarto, na sala e nas paredes dos museus, nas exposições que circulam e que ainda não vi.</p>
<p>Devo dizer que já pensei sobre o meu estilo, as minhas letras, os meus desenhos. Eu não sei, mas creio que há algo que esvazia quanto mais eu teimo em tentar com isso me preencher.</p>
<p>Fuga, foi o que disse minha mãe. É a toca por onde o coelho nunca nem passou, mas que insisto em dizer que eu o vi, correndo, atrasado, adiantado, em plumas azuis e brancas – mas nem vestidos de aventais eu tenho. É tarde.</p>
<p>Sabe as pintas das peças de dominó? São mais inovadoras. É como ser a vareta negra e deixar se perder – perder a graça. A carta que falta ser um ás de espadas. O pino encravado na saída dos soldados verdes do ludo. Do lúdico. Do lúcido. Do lugar nenhum.</p>
<p>Desafino sem parecer prenda. Canto sem ser para os males – nem para o bem de ninguém. Sugar a minha criatividade diária pode ser o mesmo que construir pílulas anestésicas que não variam na forma, no conteúdo nem no diagnóstico: quatro pela manhã, três à tarde. Nenhuma à noite.</p>
<p><em>*foto retirada <a href="http://www.dakotaridgegallery.com/pierrotmen/pages/n6.htm">daqui</a>.</em></p>
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