<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>anacrônicas &#187; Saudade</title>
	<atom:link href="http://anacronicas.com.br/blog/tag/saudade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://anacronicas.com.br/blog</link>
	<description>www.anacronicas.com.br</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Jul 2010 15:06:51 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Mar, colcha e hidratante</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/mar-colcha-e-hidratante/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/mar-colcha-e-hidratante/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 15:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aninha]]></category>
		<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=674</guid>
		<description><![CDATA[
Quando morava em Minas Gerais, uma vez alguém me perguntou como era a saudade que eu sentia da Bahia. O engraçado é que um dia antes da pergunta eu tinha pensado sobre o assunto. É que eu estava a caminhar na beira da lagoa da universidade e comecei a sentir um leve cheiro de mar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/mar-colcha-e-hidratante.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/mar-colcha-e-hidratante.jpg" alt="" title="mar, colcha e hidratante" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-675" /></a></div>
<p>Quando morava em Minas Gerais, uma vez alguém me perguntou como era a saudade que eu sentia da Bahia. O engraçado é que um dia antes da pergunta eu tinha pensado sobre o assunto. É que eu estava a caminhar na beira da lagoa da universidade e comecei a sentir um leve cheiro de mar no ar. Sorri como quem não quer admitir que está sentindo a falta de algo que deixou pra trás. Era o cheiro de tantas manhãs que vivi em Salvador.</p>
<p>- São três sensações que sinto que me fazem perceber que estou com saudades.</p>
<p>- Quais sensações?</p>
<p>- O cheiro de mar, que aqui ainda sinto, apesar de saber que vem da memória e não das águas e do ar. O cheiro da minha colcha de cama, marrom com pequenas estampas, em par com a da minha irmã. E o cheiro – e textura – das mãos da minha mãe, leves com o hidratante barato e cheiroso que ela sempre tinha na pia do banheiro.</p>
<p>- São só cheiros, então?</p>
<p>- Sim&#8230; e não. Cheiros e também textura que são apenas uma ilustração daquilo tudo que me pertence, apesar de longe hoje&#8230;</p>
<p>Hoje, sinto o cheiro do mar com frequência. A colcha da minha cama já não está mais aqui, nem mesmo a minha cama de madeira, a escrivaninha com prateleiras onde passava a tarde a estudar para as provas do colégio. Minha mãe viajou, mas mesmo quando chegar, não sei se terá tempo para  ficar abraçada comigo. E ela trocou a marca do hidratante. Mas acho que não era bem isso que importava.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/mar-colcha-e-hidratante/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O som das lembranças</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/o-som-das-lembrancas/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/o-som-das-lembrancas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 07:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aninha]]></category>
		<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=652</guid>
		<description><![CDATA[
As músicas das lembranças costumam passar na rádio quando estamos dormindo. Sei disso porque tenho insônia e porque, como as passagens de avião são mais baratas na madrugada, vira e mexe tenho que levar alguém para embarque ou desembarque. É neste momento que deslizo pelas ruas da cidade, o deserto de concreto que parece tão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/3106835"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/som-das-lembranças.jpg" alt="" title="som das lembranças" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-653" /></a></div>
<p>As músicas das lembranças costumam passar na rádio quando estamos dormindo. Sei disso porque tenho insônia e porque, como as passagens de avião são mais baratas na madrugada, vira e mexe tenho que levar alguém para embarque ou desembarque. É neste momento que deslizo pelas ruas da cidade, o deserto de concreto que parece tão suscetível, fraco diante das rodas do carro, doente com aquele silêncio que não se consegue em outro horário.</p>
<p>&#8220;I close my eyes&#8221;&#8230; Essa música me alegra. &#8220;Only for a moment, and the moment&#8217;s gone&#8221;&#8230; Dust in the wind, de Kansas. Se alguém me perguntar alguma outra música da banda, não conseguirei lembrar. Mas essa música, que para alguns pode ser velharia, antiquado, estranho, para mim são lembranças em seu estado mais puro. O pior é que eu não sei explicar porque, simplesmente algumas músicas tem cheiro de nossas histórias. É o caso dessa.</p>
<p>A rádio passou mais algumas músicas que me alegraram, mas que não tocavam em minhas recordações. Restou meus assovios descompassados, as batidas leves dos dedos no volante do carro e o som do parabrisa dançando por entre as finas gotas de água. Assim, meu dia poderia nascer melhor.</p>
<p>Continuei pelas estradas molhadas e vazias. Vez ou outra algum carro me ultrapassava, um caminhão aparecia. Mantive-me na segunda faixa até o final da estrada, peguei o viaduto e logo, logo estava perto de casa. A garagem escura, os carros, mais silêncio. Em minha mente, aquela música continuava tocando.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/o-som-das-lembrancas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre leite e concursos públicos</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/sobre-leite-e-concursos-publicos/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/sobre-leite-e-concursos-publicos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 20:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[Ruas]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=632</guid>
		<description><![CDATA[
Eu morava em uma cidade do interior, quando ainda bem cedo o único movimento da rua era uma moto com frascos de vidro em um compartimento acoplado. Os frascos guardavam o leite. Não sei de onde vinha, mas sempre esperava o leiteiro passar porque eu pegava carona na garupa até o final da rua e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/3054064"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/sobre-leite-e-concursos-públicos.jpg" alt="" title="sobre leite e concursos públicos" width="510" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-633" /></a></div>
<p>Eu morava em uma cidade do interior, quando ainda bem cedo o único movimento da rua era uma moto com frascos de vidro em um compartimento acoplado. Os frascos guardavam o leite. Não sei de onde vinha, mas sempre esperava o leiteiro passar porque eu pegava carona na garupa até o final da rua e voltava correndo. Diversão de criança é feita com coisa pouca.</p>
<p>Ainda naquela cidade, vivi a espera na rua por outro carro. Agora era o gás de cozinha, com uma música melosa e enjoativa, a gente escutava e sabia no ato que era o carro do gás. Eram essas as passagens nas ruas dos meus dias ali. Então eu me mudei para a capital.</p>
<p>No bairro residencial bem longe do centro, achava divertido como o rapaz do carro que circulava nas tardes das quartas anunciava o camarão pistola. Minha mãe nunca comprou o camarão que ele vendia, mas lembro perfeitamente de como eram as palavras, a entonação, e até mesmo o carro.</p>
<p>Tinha ainda o carro da pamonha. Fresquinha e saborosa, dizia a musiquinha. Essa eu também nunca experimentei. Preferia o São João chegar com os milhos colhidos da roça e a pamonha feita pela minha mãe. Doces e salgadas.</p>
<p>O mais peculiar de todos, para mim, é o vendedor de taboca. Taboca é uma casquinha doce oca, vendida em forma de cilindros. Ela é guardada em uma lata de metal azul, levada como se fosse uma mochila pelo vendedor, que em momento algum anuncia a mercadoria. Ele sempre está com um triângulo e toca o mesmo ritmo de todos os dias. Quem vem de fora não tem ideia do que é aquilo, mas para quem vive aqui, não há razão para explicações.</p>
<p>E sempre foi assim pelas ruas que morei. Panos de prato, sacos de laranjas, cana de açúcar cortada em uma bacia, amendoim cozido, polpas de fruta, detergentes feitos em casa&#8230; Mas hoje, confesso, ouvir o anúncio novo da rua me deixou surpresa.</p>
<p>Passou o carro com a voz anunciando. Era um concurso público que acabara de anunciar o edital. O produto a ser vendido eram as aulas preparatórias para o concurso. Sei que o choque pode ter sido desproporcional, não era um erro que eu encontrava ali, era apenas a saudade dos fracos de leite, talvez.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/sobre-leite-e-concursos-publicos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Todos os cantos da Saudade</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/todos-os-cantos-da-saudade/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/todos-os-cantos-da-saudade/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 23:04:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=615</guid>
		<description><![CDATA[
Era sua última semana em Paris e não eram mais as aulas de francês as suas prioridades. Deixou a língua irmã de lado para poder se aventurar no coração da Europa, em um sonho de passado e futuro, de presente reinventado, de histórias que já se foram, mas ainda pulsam viva em algum canto daquela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://weheartit.com/entry/2884563"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/Todos-os-cantos-da-Saudade.jpg" alt="" title="Todos os cantos da Saudade" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-614" /></a></div>
<p>Era sua última semana em Paris e não eram mais as aulas de francês as suas prioridades. Deixou a língua irmã de lado para poder se aventurar no coração da Europa, em um sonho de passado e futuro, de presente reinventado, de histórias que já se foram, mas ainda pulsam viva em algum canto daquela cidade. Ficou apenas com a lembrança da tarefa que a professora havia dado: na sexta-feira, cada um deveria descrever o país de origem através para os outros aprenderem um pedaço visto por seus colegas.</p>
<p>Após três dias sem aparecer na escola, voltou à cadeira de estudante. Pediu licença à professora e aos colegas, que já sabiam de sua partida mais tarde. Convivera pouco tempo com eles, mas o suficiente para se apegar. Disse à professora que, apesar do sumiço, não esquecera da tarefa proposta e iria sim descrever o país de onde viera para todos presentes, ainda que em seu restrito domínio do francês.</p>
<p>Na lousa, escreveu uma palavra. Saudade. Palavra esta usada como símbolo do português, que encobre a sua língua materna de docilidade e sentimentalismos, de romantismos e belezas, que jogam confetes para as pronúncias desenhadas pelo latim. Saudade, a palavra sem tradução. Começou a contar:</p>
<p>- Quando o rei de Portugal, Dom Sebastião, partiu rumo a Marrocos em uma de tantas batalhas que faziam naquela época, deixou um povo à sua espera. Mas ele não voltou. Ali a estória poderia terminar em um sentimento de profunda tristeza daqueles que sentiam falta do rei. Mas a morte de Sebastião não foi testemunhada por ninguém. Junto a tristeza da partida, havia a esperança do retorno. Convivia, assim, no sentimento português a melancolia de uma perda, com a alegria de um reencontro. Era esse o sentimento de quem acreditava na volta do rei, era isso então o sentimento chamado de saudade. Saudade é agora o que sinto por vocês.</p>
<p>Deixou Paris, voltara ao Brasil. Na espera dele, do outro lado, um coração em saudade – exatamente assim, banhado em uma tristeza do tempo, angústia da espera, alegria do retorno. Vieram os seus olhos matar aquela saudade vibrante, que daria espaço a tantas outras saudades de um passado vívido de bons encontros.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/07/todos-os-cantos-da-saudade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A linha perdida</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/a-linha-perdida/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/a-linha-perdida/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 22:33:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes e livros e afins !]]></category>
		<category><![CDATA[Despedida]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=587</guid>
		<description><![CDATA[
Quando José Saramago, para mim, era apenas um nome estampado nas capas de livros, eu achava simplesmente poética a pronúncia do nome. Dos livros, conhecia apenas as capas e os nomes, que muitas vezes me prendia a atenção nas prateleiras de livrarias e bibliotecas. Mas tardei demais o nosso encontro.
Saramago foi mesclando aos poucos os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://palavraguda.files.wordpress.com/2008/09/jose-saramago.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/A-linha-perdida.jpg" alt="" title="A linha perdida" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-588" /></a></div>
<p>Quando José Saramago, para mim, era apenas um nome estampado nas capas de livros, eu achava simplesmente poética a pronúncia do nome. Dos livros, conhecia apenas as capas e os nomes, que muitas vezes me prendia a atenção nas prateleiras de livrarias e bibliotecas. Mas tardei demais o nosso encontro.</p>
<p>Saramago foi mesclando aos poucos os bons sentimentos que eu poderia ter de uma literatura. Era um prazer ler seus livros, que mantinha o português de sua origem, em tramas de crítica, de desconcerto, de desnudez do mundo como ele sempre fora, do homem para além do que ele parecia ser.</p>
<p>Foi em seus livros que reaprendi a adiar as últimas páginas, para manter as interrogações e a angústia das respostas dentro de mim, mérito que antes só um autor russo me roubara. Ali, em minha língua &#8211; nossa, melhor dizer &#8211; sentia suas páginas como por dentro da pele.</p>
<p>Tanto tempo se passou e uma surpresa tive um dia ao abrir a página de contatos do jornal onde trabalhei. Entre os nomes de pessoas públicas, sorria ao ler &#8220;Suassuna&#8221; e &#8220;Boal&#8221;, este que entre nós também já não está mais. Mas ficou mesmo a alegria desmedida em ver o “José Saramago”. Um número, com prefixo estrangeiro, estava ali para uma conversa profissional.</p>
<p>Nunca liguei para ele, nunca pude ouvir a voz doce e fraca, feroz e forte, daquele que marcou eternamente a nossa literatura. Penso apenas que, se tivesse um dia feito, talvez, assim como o próprio, devesse voltar a rever e remarcar o meu tempo em um antiquado relógio.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/a-linha-perdida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O lance dos dados</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/o-lance-dos-dados/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/o-lance-dos-dados/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 17:24:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=578</guid>
		<description><![CDATA[
Tem quatro livros na mesa, doze artigos no computador, um texto pela metade, não consigo pensar em como fechar as letras para terminá-lo. Tem uma música insistente na cabeça, mesmo que eu não goste do ritmo nem da letra. Menos ainda do cantor. Tem ainda duas sacolas de lixo de ontem que eu esqueci de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/O-lance-dos-dados.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/O-lance-dos-dados.jpg" alt="" title="O lance dos dados" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-577" /></a></div>
<p>Tem quatro livros na mesa, doze artigos no computador, um texto pela metade, não consigo pensar em como fechar as letras para terminá-lo. Tem uma música insistente na cabeça, mesmo que eu não goste do ritmo nem da letra. Menos ainda do cantor. Tem ainda duas sacolas de lixo de ontem que eu esqueci de jogar fora.</p>
<p>Faltei a reunião de ontem, mas tem encaminhamentos para mim. Estou lendo “Crime e Castigo”, parei na terceira parte, não tenho previsão de quando chego ao seu fim. A lista de compras eu fiz, mas só percebi que esqueci no ímã da geladeira quando procurei na bolsa, no estacionamento do mercado.</p>
<p>Hoje eu pensei em apagar essas preocupações da mente, pensei em ir para a praia, mas amanheceu nublado. Lá no fundo as nuvens até mesmo estão roxas. Também não sei se teria ânimo.</p>
<p>Já são duas da tarde, tenho duas atividades para fazer até quarta-feira à noite, não comecei nenhuma delas. O débito automático da conta de energia da casa que morei no ano passado ainda está no meu nome, o serviço de atendimento do banco não me responde.</p>
<p>Acabaram as passagens para o final de semana. Estou na fila de espera da viação. Talvez eles abram vagas em um ônibus extras. Estava mesmo precisando era de te ver.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/06/o-lance-dos-dados/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Se tu vens, por exemplo, às 4 da tarde</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/05/se-tu-vens-por-exemplo-as-4-da-tarde/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/05/se-tu-vens-por-exemplo-as-4-da-tarde/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 20:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=475</guid>
		<description><![CDATA[
Os dias que mais passam devagar são os da contagem regressiva, aqueles três ou quatro dias finais. Como eles se arrastam! O dia anterior é o mais longo do mês, como se o planeta entrasse em uma profunda preguiça e as horas bocejassem para não mudar&#8230; Cada segundo é sentido dentro de um vasto pote [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><a href="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Se-tu-vens-por-exemplo-às-4-da-tarde.jpg"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/05/Se-tu-vens-por-exemplo-às-4-da-tarde.jpg" alt="" title="Se tu vens, por exemplo, às 4 da tarde" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-474" /></a></div>
<p>Os dias que mais passam devagar são os da contagem regressiva, aqueles três ou quatro dias finais. Como eles se arrastam! O dia anterior é o mais longo do mês, como se o planeta entrasse em uma profunda preguiça e as horas bocejassem para não mudar&#8230; Cada segundo é sentido dentro de um vasto pote de imensidão.</p>
<p>No pátio em que lhe espero, com você a poucos passos de mim, uma porta ainda a abrir para te ver com as malas na mão&#8230; São infernais minutos que passam ao som das batidas do pé no chão, do incontrolável movimento de olhar o relógio, na teimosia eterna dos ponteiros. Todo rosto que passa ao longe parece o seu, todos os traços remetem aos seus, todas as vozes tem o mesmo tom: o seu.</p>
<p>A raposa que espera alegremente com antecedência sabe que a felicidade que expressa guarda em si aquele pedaço destrutível de angústia, agonia, desespero. É essa sinestesia que explica  o encontro. É esta a anestesia dos desencontros.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/05/se-tu-vens-por-exemplo-as-4-da-tarde/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pêras</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/03/peras/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/03/peras/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 14:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=376</guid>
		<description><![CDATA[
Pêra, quando madura demais, parece azedar em minha boca. Prefiro torturá-la em minha boca ainda verde a sentir sua maciez excessiva dos seus grãos arenosos e lisos desmanchando ao ser pressionada no céu da boca. Mas nem sempre foi assim. Durante a infância eu costumava rejeitá-la por uma ou duas maçãs. Por mais que fosse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://lh5.ggpht.com/_5f4yugQ95vY/S5erI9kqOjI/AAAAAAAAANY/ugczgoVMgUc/peras.jpg"/></div>
<p>Pêra, quando madura demais, parece azedar em minha boca. Prefiro torturá-la em minha boca ainda verde a sentir sua maciez excessiva dos seus grãos arenosos e lisos desmanchando ao ser pressionada no céu da boca. Mas nem sempre foi assim. Durante a infância eu costumava rejeitá-la por uma ou duas maçãs. Por mais que fosse essa a fruta que eu sempre pensava na hora de pedir para mamãe, teimava em dizer que nenhum gosto se assemelhava ao dos morangos – tão sazonais e tão raros na mesa de casa.</p>
<p>As pêras me fascinavam enquanto forma, suas curvas deixavam a cesta da cozinha mais insinuante. A minha teimosia de menino impedia que eu pegasse uma delas pois, como era natural de se esperar em meus antigos oito anos, eu nunca havia provado e, portanto, não gostava. </p>
<p>Lembro de comer o primeiro pedaço daquela fruta tão bem desenhada quando já tinha saído de casa para trabalhar no interior de São Paulo. A vizinha que me ajudava nos finais de semana a conhecer os lugares da redondeza me entregara de presente em um dos passeios pela cidade. Não havia sequer uma mancha, daquelas de madura, na minha pêra. Não sou de fazer desfeita, minha mãe me criou bem nisso, e repousei a minha pêra na mesa para provar seu sabor ao chegar em casa.</p>
<p>Noite, já cansado, ela ainda me esperava quieta na mesa. Ao lado de Santo Antônio e da minha xícara esmaltada. Acendi o lampião, passei os pés sujos no tapete, fiz o sinal da cruz ao Senhor pendurado na parede. Estranho sabor de uma pêra, de uma ausência, que de tão forte me fazia sentir mais gente.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/03/peras/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dentro</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2010/01/dentro/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2010/01/dentro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 08:53:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Desespero]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=347</guid>
		<description><![CDATA[
Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.
Repulsa de meus cabelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/Dentro-.jpg" alt="Dentro" title="Dentro" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-346" /></div>
<p>Eu me olho em você. E me penso em você. Parece até que minha pele se desgruda em algum instante e, por longos segundos, me registro em pedaços distante de mim, com uma textura que seca e arranha, imediatamente seguida por um contorno macio e tenro. É estranho, delicadamente estranho, inatingivelmente estranho.</p>
<p>Repulsa de meus cabelos aos ventos, tão longos e desgrenhados, tão desvinculados, desidratados, desavergonhados. E desses desdéns que não se calam, se grita no fundo de alguma alma o calor que perpassa entre os dedos que pensam: doces, sedosos, macios. Feitos de mel, fio a fio, como deslizam nas peles que, em bolhas, se queimam de arrepios.</p>
<p>É do contraste que desenha as linhas dos estômagos, é das lâmpadas que se acendem nos faróis distantes, é isso tudo que constrói os nossos dois lados, o doce e o amargo, o negro e o alvo. Nas ondas daquele além-mar, sem beijo azul e sem turquesa a brilhar, sei que reina o vento, forte sopro, que não cala as velas e silencia a paz – é no fruto deste fervor de furacão que o equilíbrio se enconde e ri.</p>
<p>Palavras que pintam a língua das crianças, montadas em lenços estampados nas costas das mães. Sol que ilumina, perverso, desafia a ilusão e crava as unhas nos olhos ofuscados, que já não separam o sonho da razão. O óleo se mistura na água, evapora e chove nas copas das árvores: não sei quando sou eu, quando não sou, quando me desprendo da pele e viro essa fera, destemida e tímida, calada e eloquente, que a muitos me alcunham simplesmente de coração.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2010/01/dentro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Infinite-me</title>
		<link>http://anacronicas.com.br/blog/2009/10/infinite-me/</link>
		<comments>http://anacronicas.com.br/blog/2009/10/infinite-me/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 21:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos e Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Trupe de Quinta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anacronicas.com.br/blog/?p=262</guid>
		<description><![CDATA[
As pinturas de nossos dias eram mesmo incomuns. Você, meio surrealista, transbordava-se em sonhos e em psicanálises que eu pensava compreender. Eu, categoricamente barroca, não sabia se buscava as pinceladas de luz ou se me encobria com o pano escuro. Nos fundimos em um típico ready-made.
Os versos que eu declamava nas praças, quando as luzes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="ImgGrd"><img src="http://anacronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/infinito.jpg" alt="Infinite-me" title="Infinite-me" width="510" height="200" class="aligncenter size-full wp-image-263" /></div>
<p>As pinturas de nossos dias eram mesmo incomuns. Você, meio surrealista, transbordava-se em sonhos e em psicanálises que eu pensava compreender. Eu, categoricamente barroca, não sabia se buscava as pinceladas de luz ou se me encobria com o pano escuro. Nos fundimos em um típico ready-made.</p>
<p>Os versos que eu declamava nas praças, quando as luzes dos postes me assistiam sorrindo, era só você quem ouvia. Não sei se compreendia, e isto não era mesmo o esperado. Talvez, penso, se entendesse perderia todo este charme – maldita retórica matemática que tenta recusar os mais belos imprevistos e torná-los todos em provas de nove.</p>
<p>Sabe que as promiscuidades dos lábios são notas musicais que formam até mesmo uma bela canção, mas sempre buscam o intérprete definitivo. Escutava seus passos antes de estender meu lençol. Só, na noite, os sonhos se revestiam de relógios (possivelmente derretidos). É a solda perfeita para na manhã seguinte adornar com precisão o meu infinito e o meu particular.</p>
<blockquote><p><strong>trupe de quinta &#8211; infinito particular</strong><br />
é assim: na segunda, um desses aqui embaixo manda um tema. na quinta, todos esses escrevem sobre. siga no <a href="http://www.twitter.com/trupedequinta">twitter</a>. <img src='http://anacronicas.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://amandaoliveira.wordpress.com/">amanda oliveira</a> • <a href="http://eu-quero-saber.blogspot.com/">andré pacheco</a> • <a href="http://www.flickr.com/photos/belpompermayer">izabel pompermayer</a> • <a href="http://laramarx.wordpress.com">lara marx</a> • <a href="http://elementarmeucaroblog.wordpress.com/">nati boaventura</a> • <a href="http://www.diarioinbordo.blogspot.com/">rafael glass</a> • <a href="http://faixademobius.blogspot.com">rodrigo casales</a> • <a href="http://naoestasendofacil.wordpress.com ">victor godoi</a></p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://anacronicas.com.br/blog/2009/10/infinite-me/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
